Olsen destacou que, em termos de relacionamento militar, as tensões diplomáticas entre os dois países não demonstraram impacto algum.
Por Redação, com CNN – de Brasília
Comandante da Marinha do Brasil, o almirante Marcos Sampaio Olsen descartou, nesta quinta-feira, qualquer possibilidade de uma invasão dos Estados Unidos ao território brasileiro. Questionado pelo canal norte-americano de notícias CNN sobre o impacto geopolítico da designação do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos Estados Unidos, bem como sobre uma ameaça militar ao território brasileiro, Olsen foi categórico:

— Não, eu não creio nessa possibilidade.
Olsen destacou que, em termos de relacionamento militar, as tensões diplomáticas entre os dois países não demonstraram impacto algum. Segundo o almirante, a Marinha do Brasil e a Marinha dos Estados Unidos mantêm uma agenda regular há décadas, com intercâmbios, exercícios operacionais combinados e um alinhamento doutrinário estreito no emprego da força.
Relacionamento
O comandante também mencionou que esteve recentemente nos Estados Unidos para as comemorações dos 250 anos da Marinha norte-americana, ocasião em que o Brasil fez-se representar por uma fragata. O evento decorreu de uma operação combinada entre as duas forças navais, o que, segundo Olsen, reforça a solidez desse relacionamento.
Além dos exercícios militares conjuntos, Olsen ressaltou a importância da troca de informações e de inteligência marítima entre os dois países. Esse intercâmbio, segundo afirmou, contribui para coibir crimes transnacionais ilícitos nas águas jurisdicionais brasileiras, em cooperação com órgãos nacionais como a Polícia Federal (PF), a Receita Federal (RF) e o Ibama.
Ao ser questionado sobre se a diplomacia militar ativa entre os dois países poderia ser suficiente para blindar a relação diante de uma eventual deterioração nas relações entre os governos, Olsen reconheceu que circunstâncias políticas de constrangimento são passageiras.
— O relacionamento entre militares e, particularmente, entre forças navais, é mais robusto, é mais de confiança — acrescentou.
Golpe do 8/1
Ainda na entrevista, Olsen classificou o golpe de Estado fracassado no 8 de janeiro de 2023 como um “acontecimento lamentável” e ressaltou que o episódio e tudo o que veio a ser revelado no decorrer do processo judicial — já sentenciado — evidenciaram, por sua vez, uma maturidade institucional admirável por parte das instituições brasileiras.
Segundo Olsen, as instituições “perseveraram nas suas atribuições constitucionais”. O comandante destacou a necessidade de orientar condutas para “blindar a instituição desse tipo de comportamento”, referindo-se ao envolvimento político no âmbito das Forças Armadas.