Rio de Janeiro, 23 de Julho de 2026

Comandante da Marinha descarta ameaça de invasão por parte dos EUA

Olsen destacou que, em termos de relacionamento militar, as tensões diplomáticas entre os dois países não demonstraram impacto algum.

Quinta, 23 de Julho de 2026 às 21:36, por: CdB

Olsen destacou que, em termos de relacionamento militar, as tensões diplomáticas entre os dois países não demonstraram impacto algum.

Por Redação, com CNN – de Brasília

Comandante da Marinha do Brasil, o almirante Marcos Sampaio Olsen descartou, nesta quinta-feira, qualquer possibilidade de uma invasão dos Estados Unidos ao território brasileiro. Questionado pelo canal norte-americano de notícias CNN sobre o impacto geopolítico da designação do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos Estados Unidos, bem como sobre uma ameaça militar ao território brasileiro, Olsen foi categórico:

Marcos Sampaio Olsen
O comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, diz que os EUA são parceiros do Brasil

— Não, eu não creio nessa possibilidade.

Olsen destacou que, em termos de relacionamento militar, as tensões diplomáticas entre os dois países não demonstraram impacto algum. Segundo o almirante, a Marinha do Brasil e a Marinha dos Estados Unidos mantêm uma agenda regular há décadas, com intercâmbios, exercícios operacionais combinados e um alinhamento doutrinário estreito no emprego da força.

 

Relacionamento

O comandante também mencionou que esteve recentemente nos Estados Unidos para as comemorações dos 250 anos da Marinha norte-americana, ocasião em que o Brasil fez-se representar por uma fragata. O evento decorreu de uma operação combinada entre as duas forças navais, o que, segundo Olsen, reforça a solidez desse relacionamento.

Além dos exercícios militares conjuntos, Olsen ressaltou a importância da troca de informações e de inteligência marítima entre os dois países. Esse intercâmbio, segundo afirmou, contribui para coibir crimes transnacionais ilícitos nas águas jurisdicionais brasileiras, em cooperação com órgãos nacionais como a Polícia Federal (PF), a Receita Federal (RF) e o Ibama.

Ao ser questionado sobre se a diplomacia militar ativa entre os dois países poderia ser suficiente para blindar a relação diante de uma eventual deterioração nas relações entre os governos, Olsen reconheceu que circunstâncias políticas de constrangimento são passageiras.

— O relacionamento entre militares e, particularmente, entre forças navais, é mais robusto, é mais de confiança — acrescentou.

Golpe do 8/1

Ainda na entrevista, Olsen classificou o golpe de Estado fracassado no 8 de janeiro de 2023 como um “acontecimento lamentável” e ressaltou que o episódio e tudo o que veio a ser revelado no decorrer do processo judicial — já sentenciado — evidenciaram, por sua vez, uma maturidade institucional admirável por parte das instituições brasileiras.

Segundo Olsen, as instituições “perseveraram nas suas atribuições constitucionais”. O comandante destacou a necessidade de orientar condutas para “blindar a instituição desse tipo de comportamento”, referindo-se ao envolvimento político no âmbito das Forças Armadas.

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