Rio de Janeiro, 08 de Maio de 2026

Senado avalia, com urgência, o PL das Terras Raras, aprovado na Câmara

Senado analisa projeto de lei para exploração de terras raras no Brasil, visando incentivar a cadeia produtiva e garantir segurança jurídica.

Sexta, 08 de Maio de 2026 às 20:39, por: CdB

Entre todos os países do mundo, o Brasil é um daqueles com maiores reservas de alguns desses minerais críticos e estratégicos.

Por Redação, com Agência Senado – de Brasília

O Senado começou a analisar, depois de aprovado na Câmara, o Projeto de Lei (PL) que trata da exploração de terras-raras no Brasil. O texto propõe a criação de um fundo para incentivar a cadeia produtiva desses minerais estratégicos para a indústria eletrônica.

Senado avalia, com urgência, o PL das Terras Raras, aprovado na Câmara | As chamadas ‘terras raras’ são indispensáveis na fabricação de componentes de alta tecnologia
As chamadas ‘terras raras’ são indispensáveis na fabricação de componentes de alta tecnologia

Túlio, térbio, gadolínio, cério, neodímio, disprósio, érbio, európio, lutécio, hólmio, lantânio, promécio, praseodímio, escândio, samário, ítrio e itérbio são os 17 elementos conhecidos como terras raras, usados na produção de carros elétricos, turbinas eólicas, tecnologias de iluminação e sistemas militares. Classificados como minerais críticos, ao lado do cobalto, do lítio e do grafite, são essenciais para projetos de transição energética e de tecnologias de ponta, como painéis solares, smartphones e notebooks.

Entre todos os países do mundo, o Brasil é um daqueles com maiores reservas de alguns desses minerais críticos e estratégicos. O Senado começa agora a analisar a proposta de criação da política nacional voltada exclusivamente para eles, com incentivos governamentais a projetos de processamento e transformação no país previstos em R$ 7 bilhões em cinco anos.

 

Refino

Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado, o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) disse a jornalistas que o Brasil precisa parar de exportar apenas minério bruto e aprender a beneficiar e refinar os minerais no território nacional.

— Isso não é fechar mercado, nem espantar investidor. É dar segurança, regra clara e defesa do interesse nacional. O pior agora seria deixar o projeto parado. O Senado pode aperfeiçoar o texto, mas precisa enfrentar esse debate com urgência, porque minerais críticos já são uma disputa econômica, tecnológica e geopolítica no mundo inteiro — avalia o senador.

O senador Marcos Rogério (PL-RO), por sua vez, afirmou que o Brasil não pode perder a janela dos minerais críticos, mas deve ter cautela.

— Não pode errar na dose. Uma política nacional para o setor precisa atrair investimentos, dar previsibilidade e estimular a industrialização no país. Se o texto criar burocracia, controle excessivo ou insegurança jurídica, vamos trocar uma grande oportunidade por mais um entrave ao desenvolvimento — advertiu.

 

Projetos

Entre outras medidas, o PL cria o Fundo Garantidor da Atividade Mineral, com aporte de R$ 2 bilhões da União para atividades vinculadas à produção de minerais críticos e estratégicos. Está previsto um programa específico para o beneficiamento e a transformação desses minerais no próprio país, com incentivos federais de R$ 5 bilhões em créditos fiscais ao longo de cinco anos.

O fundo a ser criado somente poderá apoiar projetos considerados prioritários na política nacional. Essa decisão caberá ao Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, instância também criada pelo texto legal e que decidirá quais substâncias se enquadram como minerais críticos e estratégicos, atualizando a lista a cada quatro anos, com alinhamento ao plano plurianual.

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