Rio de Janeiro, 04 de Abril de 2026

‘Centrão’ migra em peso para o PL e esvazia o União Brasil

O PL aumenta sua bancada na Câmara com a migração do Centrão, enquanto o União Brasil enfrenta perdas significativas. Entenda as implicações políticas dessa manobra.

Sábado, 04 de Abril de 2026 às 17:15, por: CdB

Com a manobra, o PL saiu de 86 para 101 deputados no último mês, período em que os membros da Casa puderam trocar de legenda sem sofrer punições.

Por Redação – de Brasília

No último dia para os partidos políticos e as federações que desejam participar do pleito registrem seus estatutos, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou um aumento na bancada do PL, com o êxodo do chamado ‘Centrão’, na Câmara, para a pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência que desidratou o União Brasil (UB).

‘Centrão’ migra em peso para o PL e esvazia o União Brasil | O ex-deputado Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, reúne agora a maior bancada da Câmara
O ex-deputado Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, reúne agora a maior bancada da Câmara

O partido do ex-presidente Jair Bolsonaro ultrapassou, assim, a marca dos 100 deputados na janela partidária encerrada na véspera e deve se consolidar com o maior número de parlamentares na Casa desde 1998, quando o PFL ocupou 105 cadeiras na reeleição do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Na outra ponta da disputa pelo Palácio do Planalto, o PT, mesmo comandando o governo e com a força da máquina em mãos, permaneceu no mesmo patamar.

Com a manobra, o PL saiu de 86 para 101 deputados no último mês, período em que os membros da Casa puderam trocar de legenda sem sofrer punições. O crescimento, com 22 novas filiações e sete saídas, ocorreu de forma concentrada nos últimos dias do prazo e reforça a estratégia da legenda de ampliar a presença nos estados de olho na disputa eleitoral.

Ao todo, 120 deputados trocaram de sigla no período. Os números ainda podem mudar, já que a movimentação ocorreria até os últimos minutos da sexta-feira. A Câmara vai formalizar a nova composição nos próximos dias.

 

Disputas

Para o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, no entanto, o principal componente foi a adesão ao bolsonarismo para a campanha deste ano.

— O que explica isso é o prestígio do (Jair) Bolsonaro. Tivemos que abrir mão de algumas vagas (de deputados que queriam se filiar) para outros partidos, porque precisamos deles com o Flávio. Todos entram comprometidos em ajudar nos palanques nos estados — afirmou Valdemar.

Com as baixas, o UB concentra as maiores perdas da janela. A bancada deve cair de 59 para 44 deputados, resultado de 25 saídas e 10 novas filiações. O desempenho reflete o impacto da federação com o PP, que abriu espaço para o acirramento de disputas internas pelo comando partidário.

— Político vive de reputação. Tudo que é colocado e pode gerar desgaste de imagem afeta. Você vê um mundo de denúncias que está aí hoje, envolvendo inclusive a classe política e é óbvio que podendo evitar proximidade com isso, você vai procurar um grupo em que se sinta mais confortável e que tenha menos que se explicar — resumiu o deputado Danilo Forte (CE), que deixou o UB, chegou a anunciar a ida para o PSDB, mas filiou-se ao PP.

 

Esquerda

Embora o PT permaneça como a segunda maior bancada, fica agora com uma distância maior para o líder PL. O partido de Lula registrou uma baixa até o momento, passando de 67 para 66 deputados: Luizianne Lins (CE) migrou para a Rede.

O enfraquecimento do PDT, tradicional aliado dos petistas, também gera preocupação — a sigla deve terminar a janela com apenas seis integrantes. No campo governista, o PSB deve passar de 16 para 20 cadeiras. Apesar do crescimento, o saldo na esquerda ainda manterá o Planalto essencialmente dependente das siglas de centro nas votações.

— Fechamos essa janela partidária dando um recado político claro do compromisso com o Brasil e com a reeleição de Lula — resumiu o presidente do PSB, João Campos.

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