Segundo Dirceu, a aprovação do governo, embora abaixo do desejado por setores do PT, oferece um ponto de partida para a disputa.
Por Redação – de Brasília
Ex-ministro da Casa Civil e um dos fundadores do PT, José Dirceu é uma das vozes mais influentes da legenda e, em uma análise do cenário político atual, afirma que a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em outubro, precisa passar por uma mudança na condução da disputa política. O militante petista alerta para a necessidade de o partido prestar atenção na insatisfação social, na defesa dos resultados do governo e apresentação de um projeto nacional inovador.

Em entrevista neste domingo ao site de notícias Opera Mundi, Dirceu observa que Lula tem base eleitoral para vencer o pleito, mas alerta que a campanha não pode repetir modelos anteriores. Segundo Dirceu, a aprovação do governo, embora abaixo do desejado por setores do PT, oferece um ponto de partida para a disputa.
— Quarenta e cinco por cento de aprovação, estando no governo, é uma base real para disputar e reeleger Lula — avalia.
Dificuldades
Segundo o ex-ministro, os indicadores de emprego, renda e inflação ajudam o presidente, mas não eliminam problemas presentes na rotina da população, como transporte, salários, custo de vida, serviços públicos e dificuldades para fechar as contas no fim do mês.
José Dirceu avalia, no entanto, que a eleição ainda será definida pela campanha e pela disputa política.
— Eu acredito que a disputa política eleitoral é que vai decidir se Lula vence ou não, se se reelege ou não. Não está dado que ele vai perder. É mais provável que ele vença — analisa.
Para Dirceu, o presidente tem vantagens por estar no governo, por contar com uma coalizão partidária e por enfrentar como adversário o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado por ele como expressão do bolsonarismo na eleição.
Limitações
Mas é preciso cautela, segundo o experiente político, pois a situação assim exige.
— É preciso que levemos em consideração e tomemos como grave a situação atual. Nós não podemos fazer uma análise ufanista ou irresponsável sobre o quadro atual — reconhece.
Para o futuro candidato a deputado, o governo precisa partir de um diagnóstico que leve em conta tanto os avanços da gestão quanto às limitações impostas pela correlação de forças no Congresso e pela insatisfação de parcelas da sociedade.
— (Trata-se de) um governo que tem muitas limitações para fazer reformas estruturais que permitam que o país possa crescer o dobro do que está crescendo — conclui.