Rio de Janeiro, 08 de Maio de 2026

Após quase três horas, Lula classifica reunião com Trump de ‘muito boa’

Após quase três horas de reunião, Lula classifica encontro com Trump como 'muito boa'. Discussões sobre tarifas e combate ao crime organizado foram os principais temas.

Quinta, 07 de Maio de 2026 às 20:31, por: CdB

O cronograma previa início às 12h e, na sequência, haveria um período reservado para fala dos líderes com a imprensa. O protocolo, porém, foi alterado, uma vez que a reunião privada se alongou e evitaram falar com jornalistas.

Por Redação, com ABr – de Washington

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu-se com o homólogo norte-americano, Donald Trump, na Casa Branca, por quase três horas. Os líderes se encontraram às 12h21 (Brasília) desta quinta-feira e o encontro privado, a portas fechadas, durou cerca de uma hora e 20 minutos, quando saíram em seguida para um almoço com o restante da comitiva dos dois países.

Após quase três horas, Lula classifica reunião com Trump de ‘muito boa’ | Trump e Lula cumprimentam-se, após o encontro de quase duas horas, na Casa Branca
Trump e Lula cumprimentam-se, após o encontro de quase duas horas, na Casa Branca

O cronograma previa início às 12h e, na sequência, haveria um período reservado para fala dos líderes com a imprensa. O protocolo, porém, foi alterado, uma vez que a reunião privada se alongou e evitaram falar com jornalistas. No fim da tarde, já durante a entrevista coletiva, Lula explicou que tanto ele quanto Trump optaram por falar com a imprensa apenas no fim da reunião.

— Não teria sentido falar antes da reunião. Nem eu nem o Trump precisamos de aparecer em fotografias — disse Lula.

 

Tarifas

Na sexta visita do presidente brasileiro à sede do governo norte-americano, sendo a primeira sob Trump, Lula mostrou-se à vontade. Em mandatos anteriores, o presidente visitou a Casa Branca em 2002 — logo após ser eleito, antes de assumir o cargo —, depois em 2003 e 2008, nos encontros com o então presidente George Bush. Em seguida, em 2009, reuniu-se com Barack Obama e, já em seu terceiro mandato, o brasileiro foi recebido por Joe Biden, em 2023.

Lula levou ao republicano duas demandas principais. Entre elas, o objetivo de apresentar um acordo para combater crime organizado e também para discutir questões relacionadas a tarifas. Em ambos os casos, os presidentes concordaram em formar grupos de trabalho, com o prazo de 30 dias, para solucionar quaisquer pendências.

O presidente foi acompanhado pelos ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira; da Justiça, Wellington César Lima e Silva; da Fazenda, Dario Durigan; da Indústria, Comércio e Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa; e das Minas e Energia Alexandre Silveira. O diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também participava da comitiva a Washington, mas não esteve presente ao encontro no Salão Oval.

 

Cardápio

Trump, por sua vez, foi acompanhado de J. D. Vance, seu vice; além de Susie Wiles, chefe de gabinete, Howard Lutnick, secretário do Comércio, Scott Bessent, do Tesouro, e Jamieson Greer, representante comercial dos EUA.

O cardápio, segundo assessores do governo norte-americano, incluiu uma entrada de salada com nabo, laranja e abacate; além de um prato principal composto por carne grelhada, purê de feijão preto, pimentões e uma espécie de conserva de rabanete com abacaxi. Para sobremesa, os líderes tiveram pêssegos caramelizados, panna cotta com mel e sorvete de nata.

Logo após o encontro, Trump escreveu nas redes sociais que o seu homólogo do Brasil é “muito dinâmico” e que a reunião entre os dois, nesta quinta-feira, correu “muito bem”. Segundo o republicano, os líderes discutiram vários assuntos, incluindo comércio e tarifas.

“Acabei de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o muito dinâmico presidente do Brasil. Discutimos muitos tópicos, incluindo comércio e, especificamente, tarifas. A reunião foi muito bem. Nossos representantes estão programados para se reunir e discutir certos elementos-chave. Reuniões adicionais serão agendadas ao longo dos próximos meses, conforme necessário”, escreveu o presidente norte-americano em sua plataforma, a Truth Social.

 

Parcerias

No mês passado, Brasil e Estados Unidos anunciaram um acordo de cooperação mútua visando combater o tráfico internacional de armas e drogas. A parceria prevê o compartilhamento de informações sobre apreensões feitas nas aduanas dos dois países, de forma a viabilizar uma investigação célere de padrões, rotas e vínculos entre remetentes e destinatários de produtos ilícitos.

A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos atravessa, desde 2025, uma fase de tensões decorrentes da política tarifária adotada pelo presidente Donald Trump, que retomou medidas protecionistas já observadas no seu primeiro mandato.

O ciclo de disputas começou com a imposição de tarifas de 25% sobre as importações de aço e alumínio, afetando diretamente o Brasil – um dos principais fornecedores desses produtos ao mercado norte-americano. As justificativas apresentadas pelos EUA para tais medidas combinavam argumentações econômicas e políticas.

 

Golpistas

Houve também críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), no contexto das decisões do Judiciário brasileiro relacionadas ao processo envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelos atos golpistas que culminaram com o 8 de janeiro de 2023.

Em abril, os Estados Unidos adotaram tarifas adicionais sobre diversos produtos brasileiros, sob o argumento de falta de reciprocidade comercial. O governo brasileiro intensificou algumas tratativas diplomáticas e, mais adiante, levou o tema à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Além disso, o Brasil fortaleceu alguns de seus instrumentos legais, como medidas de reciprocidade e retaliação, na tentativa de evitar uma escalada ainda maior por parte do governo dos EUA.

No fim de 2025 e no início de 2026, houve recuo parcial dos Estados Unidos, com exclusões de produtos e substituição do tarifaço por uma tarifa global temporária de cerca de 10%. Setores como aço e alumínio, porém, seguem com taxas elevadas.

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