O cronograma previa início às 12h e, na sequência, haveria um período reservado para fala dos líderes com a imprensa. O protocolo, porém, foi alterado, uma vez que a reunião privada se alongou e evitaram falar com jornalistas.
Por Redação, com ABr – de Washington
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu-se com o homólogo norte-americano, Donald Trump, na Casa Branca, por quase três horas. Os líderes se encontraram às 12h21 (Brasília) desta quinta-feira e o encontro privado, a portas fechadas, durou cerca de uma hora e 20 minutos, quando saíram em seguida para um almoço com o restante da comitiva dos dois países.

O cronograma previa início às 12h e, na sequência, haveria um período reservado para fala dos líderes com a imprensa. O protocolo, porém, foi alterado, uma vez que a reunião privada se alongou e evitaram falar com jornalistas. No fim da tarde, já durante a entrevista coletiva, Lula explicou que tanto ele quanto Trump optaram por falar com a imprensa apenas no fim da reunião.
— Não teria sentido falar antes da reunião. Nem eu nem o Trump precisamos de aparecer em fotografias — disse Lula.
Tarifas
Na sexta visita do presidente brasileiro à sede do governo norte-americano, sendo a primeira sob Trump, Lula mostrou-se à vontade. Em mandatos anteriores, o presidente visitou a Casa Branca em 2002 — logo após ser eleito, antes de assumir o cargo —, depois em 2003 e 2008, nos encontros com o então presidente George Bush. Em seguida, em 2009, reuniu-se com Barack Obama e, já em seu terceiro mandato, o brasileiro foi recebido por Joe Biden, em 2023.
Lula levou ao republicano duas demandas principais. Entre elas, o objetivo de apresentar um acordo para combater crime organizado e também para discutir questões relacionadas a tarifas. Em ambos os casos, os presidentes concordaram em formar grupos de trabalho, com o prazo de 30 dias, para solucionar quaisquer pendências.
O presidente foi acompanhado pelos ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira; da Justiça, Wellington César Lima e Silva; da Fazenda, Dario Durigan; da Indústria, Comércio e Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa; e das Minas e Energia Alexandre Silveira. O diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também participava da comitiva a Washington, mas não esteve presente ao encontro no Salão Oval.
Cardápio
Trump, por sua vez, foi acompanhado de J. D. Vance, seu vice; além de Susie Wiles, chefe de gabinete, Howard Lutnick, secretário do Comércio, Scott Bessent, do Tesouro, e Jamieson Greer, representante comercial dos EUA.
O cardápio, segundo assessores do governo norte-americano, incluiu uma entrada de salada com nabo, laranja e abacate; além de um prato principal composto por carne grelhada, purê de feijão preto, pimentões e uma espécie de conserva de rabanete com abacaxi. Para sobremesa, os líderes tiveram pêssegos caramelizados, panna cotta com mel e sorvete de nata.
Logo após o encontro, Trump escreveu nas redes sociais que o seu homólogo do Brasil é “muito dinâmico” e que a reunião entre os dois, nesta quinta-feira, correu “muito bem”. Segundo o republicano, os líderes discutiram vários assuntos, incluindo comércio e tarifas.
“Acabei de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o muito dinâmico presidente do Brasil. Discutimos muitos tópicos, incluindo comércio e, especificamente, tarifas. A reunião foi muito bem. Nossos representantes estão programados para se reunir e discutir certos elementos-chave. Reuniões adicionais serão agendadas ao longo dos próximos meses, conforme necessário”, escreveu o presidente norte-americano em sua plataforma, a Truth Social.
Parcerias
No mês passado, Brasil e Estados Unidos anunciaram um acordo de cooperação mútua visando combater o tráfico internacional de armas e drogas. A parceria prevê o compartilhamento de informações sobre apreensões feitas nas aduanas dos dois países, de forma a viabilizar uma investigação célere de padrões, rotas e vínculos entre remetentes e destinatários de produtos ilícitos.
A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos atravessa, desde 2025, uma fase de tensões decorrentes da política tarifária adotada pelo presidente Donald Trump, que retomou medidas protecionistas já observadas no seu primeiro mandato.
O ciclo de disputas começou com a imposição de tarifas de 25% sobre as importações de aço e alumínio, afetando diretamente o Brasil – um dos principais fornecedores desses produtos ao mercado norte-americano. As justificativas apresentadas pelos EUA para tais medidas combinavam argumentações econômicas e políticas.
Golpistas
Houve também críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), no contexto das decisões do Judiciário brasileiro relacionadas ao processo envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelos atos golpistas que culminaram com o 8 de janeiro de 2023.
Em abril, os Estados Unidos adotaram tarifas adicionais sobre diversos produtos brasileiros, sob o argumento de falta de reciprocidade comercial. O governo brasileiro intensificou algumas tratativas diplomáticas e, mais adiante, levou o tema à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Além disso, o Brasil fortaleceu alguns de seus instrumentos legais, como medidas de reciprocidade e retaliação, na tentativa de evitar uma escalada ainda maior por parte do governo dos EUA.
No fim de 2025 e no início de 2026, houve recuo parcial dos Estados Unidos, com exclusões de produtos e substituição do tarifaço por uma tarifa global temporária de cerca de 10%. Setores como aço e alumínio, porém, seguem com taxas elevadas.