Os recentes episódios no Congresso, segundo o executivo, não são pontuais, mas revelam um problema mais profundo na política brasileira.
Por Redação – de São Paulo
Presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), o jornalista Edinho Silva abordou o cenário político, após a derrota do governo na indicação do advogado-Geral da União (AGU) Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) e a derrubada ao veto ao PL da Dosimetria, ambas no Senado. Edinho Silva disse ao diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo, nesta sexta-feira, que o Legislativo tem se afastado dos interesses da sociedade e, ao mesmo tempo, reconheceu que o PT falhou ao não apoiar a investigação do Banco Master.

— Mais uma vez, o Congresso vira as costas para a sociedade. Foi um erro que o PT cometeu — afirmou, ao lembrar que a legenda se equivocou ao não ter assinado a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master.
Os recentes episódios no Congresso, segundo o executivo, não são pontuais, mas revelam um problema mais profundo na política brasileira. Silva aponta a existência de uma desconexão crescente entre o Congresso e a população, o que compromete a legitimidade das decisões.
— O modelo político brasileiro ruiu. Está totalmente destruído — pontuou.
Projetos
Na avaliação do dirigente petista, um dos principais sintomas da crise é o uso das emendas parlamentares como instrumento de negociação política. Segundo ele, o mecanismo passou a interferir diretamente na capacidade de governar.
— Quando você torna a emenda uma moeda de troca para votar projetos, é um sintoma gravíssimo — disse.
E acrescenta que esse modelo cria dependência do Executivo em relação ao Legislativo.
— Fica refém e se estabelece um balcão de negociação que enfraquece o sistema político inteiro — acrescentou.
Reformas
Ao tratar do caso Banco Master, o líder petista reforçou que a legenda perdeu a oportunidade de assumir protagonismo na apuração. Para ele, diante das denúncias, a iniciativa deveria ter partido das bancadas petistas.
— É evidente que, diante da gravidade das denúncias, as bancadas deveriam ter liderado a formação das comissões de investigação — observou.
Edinho Silva também destaca que o combate à corrupção deve ser uma prioridade permanente e não pode depender de conveniências políticas.