A avaliação no entorno de Lula é que a neutralidade nacional do Centrão poderia favorecer acordos regionais com o PT, sem obrigar as cúpulas partidárias a uma declaração pública de apoio ao presidente.
Da Redação – de Brasília
As negociações pelo apoio do chamado ‘Centrão’ constam nas agendas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também conhecido como filho ’01’, que se movimentam nos bastidores diante da possibilidade de um segundo turno na eleição presidencial. O lado petista, no entanto, largou na frente.

De acordo com apurações do canal norte-americano de TV CNN Brasil, levadas ao ar pela analista Larissa Rodrigues, aliados de Lula articulam para que partidos da centro-direita mantenham posição de neutralidade nacional após o pleito de 4 de outubro. A estratégia abriria espaço para que diretórios estaduais apoiem o petista em determinadas regiões, especialmente no Nordeste.
As conversas mais avançadas, pela campanha petista, ocorrem com o PSD. Interlocutores do governo também miram tratativas com PP, Republicanos e União Brasil. A expectativa é que novas reuniões sejam feitas ainda nesta semana, em uma tentativa de consolidar uma posição que impeça o alinhamento formal dessas legendas com Flávio Bolsonaro.
Cenário
A avaliação no entorno de Lula é que a neutralidade nacional do Centrão poderia favorecer acordos regionais com o PT, sem obrigar as cúpulas partidárias a uma declaração pública de apoio ao presidente. Esse desenho permitiria que lideranças locais ajustassem suas posições conforme os interesses eleitorais de cada estado.
A movimentação petista provocou reação na campanha de Flávio Bolsonaro. O PL também tenta avançar sobre as legendas de centro e sustenta que o cenário mudou em relação ao primeiro turno, quando esses partidos optaram por não se comprometer nacionalmente com uma candidatura presidencial.
Sinalização
Aliados de ’01′ argumentam que o senador cresceu nas pesquisas e que, em uma disputa direta contra Lula, seria natural que partidos da centro-direita declarassem apoio ao candidato do PL. Apesar dessa leitura, a campanha ainda não recebeu uma sinalização positiva quanto ao apoio do ‘Centrão’ em favor de ’01′.
Para Lula, a prioridade é evitar que o Centrão se una formalmente em torno de ’01′. Para o PL, o desafio é impedir que a neutralidade das legendas deixe espaço para apoios estaduais ao presidente que tenta a reeleição.