Nos bastidores, a orientação seria adotar um discurso mais leve contra os atos fascistas de Trump e seus seguidores.
Por Redação – de Brasília
Diante obstáculos relevantes levantados pela mídia conservadora e formadores de opinião ligados à direita e à extrema direita, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já pensa em ajustar sua estratégia para a campanha de reeleição. Entre as primeiras medidas, segundo veículos de imprensa ligados ao campo adversário, Lula estaria disposto a elevar o tom do discurso relativo à soberania nacional, mas sem marcar um contraponto mais contundente ao presidente dos EUA, Donald Trump.

Outro ponto a ser trabalhado, segundo apuração do diário conservador carioca ‘O Globo’, seria a ampliação do discurso para o eleitorado de centro, considerado o pêndulo decisivo para as próximas eleições. Ainda que o enfrentamento ao tarifaço imposto por Trump tenha impulsionado a popularidade de Lula, no ano passado, a manutenção de um discurso fortemente crítico ao líder norte-americano poderia limitar o crescimento eleitoral fora da base tradicional de esquerda, teriam comentado com jornalistas alguns assessores do Palácio do Planalto.
Nos bastidores, a orientação seria adotar um discurso mais leve contra os atos fascistas de Trump e seus seguidores. Um aliado envolvido na definição da estratégia afirmou a jornalistas que Lula pretende “modular o discurso”, evitando tanto uma abordagem abertamente contrária a Trump quanto gestos de proximidade excessiva, como aparições públicas ao lado do presidente norte-americano. Ainda assim, a defesa da soberania nacional permaneceria entre os eixos centrais do esforço de Lula para chegar ao quarto mandato.
Gestão
A estratégia também incluiria a tentativa de projetar Lula como líder experiente em meio a um cenário internacional marcado pelas guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. A avaliação interna é que esse perfil poderia atrair eleitores menos redicalizados, que priorizam estabilidade e capacidade de gestão em contextos de crise.
Outro fator abordado foi o receio de que ataques diretos a Trump possam estimular uma eventual interferência externa no processo eleitoral brasileiro. No cenário traçado por integrantes do governo e do PT, existe a preocupação de que o presidente dos Estados Unidos possa manifestar apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula, em algum momento da disputa.
Assessores próximos de Lula avaliam que manter uma relação institucional estável com Washington pode contribuir para reduzir riscos de interferência. A expectativa inicial era que um encontro entre Lula e Trump ocorresse em março, na Casa Branca, o que não foi definido até agora. Ainda assim, a avaliação é que o diálogo entre chefes de Estado pode favorecer algum grau de neutralidade.
Influenciadores
Mas, dentro do governo, pesa a dúvida quanto à possibilidade de Trump se manter neutro nessa disputa. Mesmo sem manifestações diretas do mandatário norte-americano, setores do governo dos EUA e poderosos grupos privados, especialmente aqueles ligados às plataformas digitais, tentam influenciar o ambiente eleitoral desde já.
Integrantes do PT também admitem que o tom da campanha poderá mudar, rapidamente, caso haja medidas do governo norte-americano consideradas prejudiciais ao país, como a eventual classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas durante o período eleitoral.
Diante dos desafios lançados, Lula tem intensificado a agenda política e convocou aliados históricos para integrar o núcleo central de sua campanha. Em reunião no Palácio da Alvorada, neste fim de semana, Lula classificou o cenário como desafiador e propôs a criação de um gabinete de “pronta-resposta” para enfrentar diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o grupo de comunicação que o cerca desde o desbaratamento do conhecido ‘Gabinete do Ódio’ instalado na gestão anterior.