Interlocutores de Haddad têm dito que a recente viagem à Índia e à Coreia do Sul, na companhia do presidente Lula, ajudaram no convencimento para reduzir a resistência do ex-prefeito da capital paulista em disputar o Palácio dos Bandeirantes.
Por Redação – de São Paulo
Presidente da República, o ex-torneiro mecânico Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apertou os parafusos certos para ajustar o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o ex-presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), no lugar que faltava em São Paulo e Minas Gerais, na disputa contra seu adversário na ultradireita. Relatos vazados para a mídia brasiliense, nesta sexta-feira, indicam que os planos do líder petista serão formatados de acordo com seus interesses, nos colégios eleitorais mais decisivos do país.

Interlocutores de Haddad têm dito que a recente viagem à Índia e à Coreia do Sul, na companhia do presidente Lula, ajudaram no convencimento para reduzir a resistência do ex-prefeito da capital paulista em disputar o Palácio dos Bandeirantes. Pesquisas mostram que o ministro é o nome mais forte para a batalha contra o ex-militar, hoje governador Tarcísio de Freitas (Republicanos); além de compor o palanque do futuro candidato à reeleição.
No café
Em linha com a direção nacional do PT, Lula considera Fernando Haddad o principal nome para comandar a estratégia eleitoral do campo governista, em São Paulo. Para consolidar seus objetivos, Lula marcou um novo encontro com Haddad, na semana que vem, e chamou seu vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB-SP), para definir sua estratégia no colegiado paulista.
Em um jantar no Palácio da Alvorada, na véspera, segundo relatos do ministro à colunista Mônica Bergamo, do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, “o tema das eleições só apareceu depois do último café, quando eles já se despediam”.
“Lula então perguntou que dia Haddad voltaria a Brasília, e disse que chamaria Alckmin para um encontro na própria terça-feira, dia em que o ministro desembarca na capital. O presidente quer bater o martelo sobre as candidaturas ao governo e ao Senado no Estado”, adianta Bergamo.
Disputa
Com base em pesquisas internas do Palácio do Planalto, o filho ’01’, como é conhecido o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), estaria cabeça a cabeça com Lula, no segundo turno. Em outros levantamentos, como o do instituto Paraná Pesquisas divulgado nesta sexta-feira, o candidato da ultradireita chega a ultrapassá-lo numericamente, com 44,4% contra 43,8%, em um empate técnico na margem de erro da sondagem, que é de 2,2 pontos.
Diante dos fatos, na análise de dirigentes do PT, Haddad não deverá recusar a campanha depois de Lula o considerar vital para o desempenho da legenda e do presidente, junto ao eleitorado paulista.
Alguns integrantes do Diretório Nacional chegaram a comentar, nesta manhã, que Haddad já teria cedido e anunciará seu nome ao governo de São Paulo, ao lado do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que deverá concorrer ao governo de Minas Gerais. Assim, Lula teria conseguido construir, peça por peça, um motor potente o bastante para conduzi-lo de volta ao Palácio do Planalto, uma última vez.