A manifestação ocorre após o governo dos Estados Unidos avançar na classificação de facções criminosas latino-americanas como organizações terroristas.
Por Redação – de Brasília
O governo divulgou, nesta quinta-feira, nota oficial em resposta às movimentações de aliados do ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro (PL) junto à administração do norte-americano Donald Trump. No documento, publicado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), o Palácio do Planalto acusa integrantes da família Bolsonaro de incentivar interferência estrangeira em assuntos internos brasileiros e os classifica como “falsos patriotas”.

A manifestação ocorre após o governo dos Estados Unidos avançar na classificação de facções criminosas latino-americanas como organizações terroristas. Embora reafirme a disposição do Brasil para cooperar internacionalmente no combate ao crime organizado, o Planalto sustenta que a soberania nacional não está em discussão.
“O Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias”, afirma o governo brasileiro.
Tráfico
O governo destaca que o enfrentamento dessas organizações criminosas “é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro”. Segundo o documento, o terror imposto por facções em comunidades está ligado à busca de lucro por meio de atividades ilícitas, especialmente o tráfico de drogas e armas, e não deve ser confundido com o terrorismo internacional motivado por razões ideológicas, políticas ou religiosas.
Nesse contexto, o Planalto acusa adversários políticos pela tentativa de explorar o tema de forma oportunista. “A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos”, acrescenta a nota.
Em um dos trechos mais duros do documento, o governo dirige críticas diretas à família Bolsonaro. “É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, continua.
Legislação
A nota também menciona “falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros”. Embora não cite nomes, a referência ocorre em meio às articulações de aliados do ex-presidente junto a autoridades norte-americanas.
O governo aproveitou a manifestação para destacar medidas recentes de combate ao crime organizado. Entre elas, está a aprovação de uma nova legislação contra facções e milícias que prevê penas de até 80 anos de prisão.
Segundo o texto, trata-se da maior punição prevista atualmente na legislação brasileira.
‘Republiqueta’
Ainda em relação à ingerência norte-americana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu, afirmando que o Brasil não aceitará ser tratado como “republiqueta” e chamando o parlamentar de “traidor da pátria”. A declaração foi feita durante discurso de Lula em Sergipe, nesta manhã.
O presidente também criticou a decisão do governo Donald Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas, medida anunciada por Rubio e prevista para entrar em vigor em 5 de junho.
— Hoje estou muito triste. É um dia decepcionante. Estou muito triste com a notícia de que o secretário dos Estados Unidos da América, um tal de Marco Rubio, disse que os nosso criminosos aqui são terroristas e que os (norte-)americanos podem fazer intervenção — concluiu Lula.