Rio de Janeiro, 25 de Fevereiro de 2026

Por unanimidade, STF condena mandantes do assassinato de Marielle

Domingos e Chiquinho Brazão foram condenados pelo STF como mandantes do assassinato de Marielle Franco, destacando a motivação política e social do crime.

Quarta, 25 de Fevereiro de 2026 às 14:24, por: CdB

Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio, e Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, foram condenados por duplo homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio e organização criminosa armada.

Por Redação, com agências de notícias – de Brasília

 O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou nesta quarta-feira, de forma unânime, os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão como mandantes do assassinato da ex-vereadora Marielle Franco, vítima de um atentado que também tirou a vida de seu motorista, Anderson Gomes, em março de 2018, no Rio de Janeiro.

Por unanimidade, STF condena mandantes do assassinato de Marielle | Ministros da Primeira Turma votaram de forma unânime
Ministros da Primeira Turma votaram de forma unânime

Os ministros Alexandre de Moraes, relator do caso, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino votaram pela condenação dos réus na Primeira Turma do STF, composta pelos quatro magistrados.

Domingos Brazão, membro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, e Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, foram sentenciados por duplo homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio e organização criminosa armada.

Já o ex-chefe da Polícia Civil do RJ Rivaldo Barbosa foi condenado por obstrução à Justiça e corrupção passiva, o major da Polícia Militar Ronald Paulo Alves Pereira, por duplo homicídio e tentativa de homicídio, e o policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão Robson Calixto Fonseca, o “Peixe”, por organização criminosa.

As penas ainda serão definidas pelo Supremo.

Motivação política

Segundo a acusação, a execução da parlamentar foi motivada pela atuação política de Marielle, que contrariava interesses ligados à regularização de áreas dominadas por milícias no Rio de Janeiro. No voto do relator, Moraes destacou que o crime teve dimensões políticas e sociais.

– Se juntou a questão política com misoginia, com racismo, com discriminação. Marielle era uma mulher preta, pobre, que estava peitando os interesses de milicianos – afirmou o ministro

Para ele, o assassinato deve ser entendido como tentativa de dominação territorial e política por parte do crime organizado, além de um ato de violência de gênero. Moraes também disse que os autores não esperavam a repercussão internacional do caso.

O ministro Cristiano Zanin acompanhou integralmente o relator e afirmou que a impunidade histórica das milícias favoreceu a escalada de violência.

– Para as milícias e grupos relacionados matar significa apenas tirar uma pedra do caminho.

Já a ministra Cármen Lúcia fez um desabafo durante o voto.

– Eu me pergunto quantas ‘Marielles’ o Brasil permitirá que sejam assassinadas até que se ressuscite a ideia de justiça nesta pátria.

O presidente da Turma, Flávio Dino, também criticou a condução inicial do inquérito.

– Uma investigação tão falha, tão negligente, só é possível na presença de elementos de muito poder.

Moraes rejeitou o argumento das defesas de que a denúncia se baseava apenas na colaboração do ex-PM Ronnie Lessa. Segundo o ministro, os dados foram confirmados por testemunhas e por provas técnicas obtidas principalmente pela Polícia Federal.

O relator afirmou ainda que há provas “harmônicas e convergentes” de que os irmãos Brazão e aliados formavam organização criminosa voltada ao controle territorial, lucro ilícito e manutenção de redutos eleitorais.

– Não existe qualquer dúvida razoável sobre a vinculação dos réus com as milícias no Rio de Janeiro. Eles não tinham só contato com a milícia, eles eram a milícia – declarou Moraes.

Na avaliação do STF, Marielle tornou-se um obstáculo aos interesses do grupo e foi alvo do homicídio com objetivo intimidatório.

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