Rio de Janeiro, 18 de Setembro de 2026

Mensagens no celular de Vorcaro citam o filho do ministro Nunes Marques

Luiz Rennó, advogado de confiança de Vorcaro e assessor jurídico do Master, segundo o material que se encontra em poder da PF, relacionava diretamente os pagamentos feitos à Consult ao filho do ministro.

Sexta, 18 de Setembro de 2026 às 20:10, por: CdB

Luiz Rennó, advogado de confiança de Vorcaro e assessor jurídico do Master, segundo o material que se encontra em poder da PF, relacionava diretamente os pagamentos feitos à Consult ao filho do ministro.

Por Redação – de Brasília

Em mensagens capturadas com autorização judicial no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, apareceram transferências feitas pela instituição bancária à Consult Inteligência Tributária, empresa que repassou R$ 282 mil ao advogado Kevin Marques, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques. As conversas por aplicativo encontram-se publicadas em reportagem da revista mensal Piauí, que teve acesso ao conteúdo apreendido pela Polícia Federal (PF).

Nunes Marques
O ministro Nunes Marques foi citado em mensagens de Vorcado

Luiz Rennó, advogado de confiança de Vorcaro e assessor jurídico do Master, segundo o material que se encontra em poder da PF, relacionava diretamente os pagamentos feitos à Consult ao filho do ministro. Em 8 de agosto de 2025, Rennó enviou a Vorcaro uma mensagem sobre pagamentos que considerava essenciais:

“Dos pagamentos essenciais está faltando a consult”, escreveu, referindo-se à empresa.

 

Coaf

Em seguida, encaminhou o cartão de contato de Kevin Marques e acrescentou: 

“Aqui.”

Vorcaro respondeu apenas “Oi”. Rennó então reforçou:

“Esse aí”. E completou: “Único ‘meu’ que faltou”. Cerca de meia hora depois, o advogado avisou:

“Foi pago.”

A conversa ocorreu no período em que a Consult recebia milhões de reais do Banco Master. Segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), entre agosto de 2024 e julho de 2025 foram identificadas 14 transferências do Master para a empresa, totalizando R$ 6,632 milhões.

Mesada

Da outra parte, a Consult realizou 11 transferências para Kevin Marques, que somaram R$ 282 mil.

Em outro diálogo, de 4 de julho de 2025, Kevin Marques Filho foi relacionado aos pagamentos. Rennó enviou a Vorcaro o cartão de contato do advogado e perguntou:

“Esse aqui – 500 mil mês – mantém?”.

Em seguida, escreveu:

“Então esse aqui já era né”, acompanhado de risadas.

Vorcaro respondeu: “Kkkk”.

 

Padrão

As 14 transferências do Master para a Consult identificadas pelo Coaf totalizam R$ 6,6 milhões. Dividido pelo número de operações, o valor médio é de aproximadamente R$ 474 mil por transferência, próximo dos R$ 500 mil mencionados na conversa. A reportagem da Piauí, contudo, ressalta que não há elementos para afirmar que os valores estejam necessariamente relacionados ou que os pagamentos tenham seguido esse padrão mensal. As mensagens foram compartilhadas com gabinetes de ministros do STF depois de o conteúdo do celular de Vorcaro ser analisado pela Polícia Federal.

A Piauí já havia publicado reportagens, em março e abril, sobre a relação financeira entre Kevin Marques e a Consult.

 

Interesse

As novas mensagens também lançam luz sobre o período em que ocorreram os repasses. As transferências do Banco Master para a Consult coincidiram com a tramitação, no STF, de um processo de interesse do setor sucroalcooleiro e que poderia afetar a carteira de precatórios do banco.

O caso envolvia a Destilaria Alcídia, que buscava indenização da União por prejuízos atribuídos a políticas de controle de preços adotadas na década de 1980. Segundo reportagem anterior da piauí, a decisão poderia produzir efeitos sobre uma carteira de precatórios do setor que, conforme estimativas da PF, superava R$ 10 bilhões no balanço do Master.

O voto de Nunes Marques teve papel decisivo no julgamento citado nas conversas.

 

Outra parte

Em 15 de setembro, durante uma sessão extraordinária do STF, o ministro Nunes Marques se pronunciou sobre as mensagens que haviam vindo a público. Disse que nunca havia utilizado a tribuna da Corte para prestar esclarecimentos, mas considerou que “a gravidade das circunstâncias merece”.

— Eu nunca julguei nenhum processo relacionado ao Master — afirmou.

Nunes Marques também negou ter recebido qualquer benefício do banqueiro e defendeu a atuação de seu filho. Segundo o ministro, Kevin nunca prestou serviços nem recebeu remuneração do Banco Master. Ele afirmou ainda ter “absoluta isenção” nos processos que julgou.

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