Rio de Janeiro, 18 de Junho de 2026

Justiça torna Deolane ré por suspeita de lavar dinheiro para o PCC

A influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi tornada ré por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC, após denúncia aceita na Operação Vérnix. Entenda os detalhes do caso.

Quinta, 18 de Junho de 2026 às 14:26, por: CdB

Influenciadora e advogada responderá a processo após aceitação de denúncia ligada à Operação Vérnix, que investiga esquema de movimentação financeira associado à facção criminosa.

Por Redação, com Agenda do Poderde São Paulo

A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), informa o diário conservador paulistano Folha de S. Paulo. Com a decisão da 3ª Vara de Presidente Venceslau, ela passa oficialmente à condição de ré e terá prazo de dez dias para apresentar sua defesa no processo.

Deolane Bezerra na saída do Palácio da Polícia, na região central de São Paulo

Atualmente presa na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior paulista, Deolane é apontada pela acusação como uma das pessoas envolvidas em um esquema que teria utilizado empresas e movimentações financeiras para ocultar recursos supostamente vinculados à facção criminosa.

A denúncia também foi recebida contra Marcos Willian Herbas Camacho, conhecido como Marcola e apontado como principal líder do PCC, seu irmão Alejandro Herbas Camacho Júnior, além de Everton de Souza, identificado pelos investigadores como operador financeiro do grupo.

Outros dois denunciados são Leonardo Alexsander Ribeiro e Paloma Sanches, sobrinhos de Marcola, que, segundo as autoridades, encontram-se foragidos.

Operação investiga empresa usada para movimentações financeiras.

O caso é um dos desdobramentos da Operação Vérnix, investigação que teve início a partir da suspeita de que uma transportadora de fachada estaria sendo utilizada para movimentar e ocultar recursos supostamente ligados ao PCC.

As apurações resultaram na prisão de Deolane Bezerra e de Everton de Souza, considerado peça importante na estrutura financeira investigada.

Segundo o Ministério Público, a organização teria utilizado pessoas físicas e jurídicas para dar aparência de legalidade a recursos de origem ilícita. A investigação busca rastrear movimentações patrimoniais, operações bancárias e relações financeiras entre os denunciados.

Com o recebimento da denúncia, a Justiça entendeu haver indícios suficientes para abertura da ação penal, etapa em que serão produzidas provas e analisados os argumentos da acusação e da defesa.

Defesa nega

Após a apresentação da denúncia pelo Ministério Público, a defesa de Deolane divulgou nota rechaçando qualquer envolvimento da influenciadora com atividades criminosas.

Segundo os advogados, ela não integra organização criminosa e não praticou os delitos atribuídos pela acusação.

A defesa afirmou que ela “não faz parte de nenhuma organização criminosa e tampouco cometeu qualquer crime, o que será provado ao longo do processo”.

Os representantes da influenciadora sustentam que a acusação será contestada judicialmente e que os fatos serão esclarecidos durante a tramitação da ação penal.

A família de Marcola também contesta acusações.

Os familiares de Marcola incluídos na denúncia também negam participação em qualquer esquema ilícito.

O advogado Bruno Ferullo, responsável pela defesa de Marcola, de seu irmão e dos dois sobrinhos, afirmou que pretende demonstrar inconsistências na narrativa apresentada pelo Ministério Público.

Segundo ele, a defesa irá “demonstrar a fragilidade narrativa acusatória e a improcedência das imputações” contra seus clientes.

O advogado argumenta ainda que Marcola e Alejandro permanecem presos sob rígidas restrições de comunicação, circunstância que, segundo sua avaliação, inviabilizaria a participação deles nos fatos investigados.

Ferullo também declarou que Leonardo Alexsander e Paloma “refutam integralmente” as acusações e que “serão apresentados os esclarecimentos e as provas pertinentes acerca da origem e da regularidade das operações apontadas” na investigação.

Marcola

Após a prisão de Deolane, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, responsável pela denúncia, afirmou haver elementos que indicariam uma relação próxima entre a influenciadora e integrantes da família Camacho.

Segundo o promotor, a investigação identificou conexões que vão além de relações ocasionais e que estariam associadas ao núcleo familiar da liderança da facção.

– Ela tem relação direta com a família Camacho, além de relação de amizade íntima com integrantes, como Paloma e Alexandro, filhos de Marcolinha [Alejandro Juvenal Herbas Camacho, irmão de Marcola] também indiciados – diz.

De acordo com Gakiya, um dos pontos analisados pelos investigadores é a evolução patrimonial da influenciadora nos últimos anos. A promotoria sustenta que houve crescimento expressivo de seus ganhos financeiros entre 2020 e 2022.

O promotor também afirmou considerar que há fortes indícios de incompatibilidade entre as atividades profissionais declaradas por Deolane e o patrimônio acumulado no período analisado.

A defesa da influenciadora contesta integralmente essas conclusões.

Declaração

Após sua prisão, Deolane participou de audiência de custódia e afirmou que os fatos investigados estão relacionados ao exercício de sua atividade profissional como advogada.

Durante a audiência, ela chorou ao comentar a acusação e negou ter cometido irregularidades.

– Excelência, eu fui presa no exercício da profissão. À época dos fatos, eu advogava. É um processo bem antigo, de 2019, 2020. Eu quero deixar bem claro, mesmo sabendo que aqui não se trata de mérito, que eu fui presa por estar advogando, por uma quantia de R$ 24 mil depositada em minha conta, por um cliente que consta no próprio relatório da polícia o meu acompanhamento ao cliente – afirmou.

Ela não revelou a identidade do cliente mencionado durante a audiência.

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