Haddad também afirmou que estava surpreso com a proporção do caso, que levou o Banco Central (BC) a decretar a liquidação extrajudicial da instituição.
Por Redação – de Brasília
Ministro da Fazenda, o economista Fernando Haddad reafirmou, nesta terça-feira, que a fraude envolvendo o Banco Master é “muito grave” e prevê que as autoridades deverão rastrear e recuperar o dinheiro desviado. Segundo o ministro, o episódio atingiu uma dimensão inédita no sistema financeiro brasileiro e precisa ser esclarecido com total transparência, com responsabilização dos envolvidos.

Haddad também afirmou que estava surpreso com a proporção do caso, que levou o Banco Central (BC) a decretar a liquidação extrajudicial da instituição.
— Fico perplexo com o tamanho que o problema atingiu, uma proporção absurda. Espero que as investigações levem aos responsáveis. Está sendo visto como a maior fraude bancária da história do Brasil. Alguém tem que tomar a providência de recuperar esse dinheiro, de rastrear, e colocar em pratos limpos o que aconteceu. É muito grave — pontuou o ministro.
Dimensão
O Banco Master foi liquidado em novembro último, após o BC identificar uma profunda crise de liquidez, caracterizada pela falta de recursos para honrar compromissos básicos, como o pagamento de clientes e investidores. Haddad explicou que o Ministério da Fazenda só tomou conhecimento da real dimensão do problema no ano passado, quando Gabriel Galípolo assumiu a Presidência da autoridade monetária.
Segundo Haddad, a direção do BC recebeu uma situação já deteriorada ao chegar ao cargo. Haddad avaliou que o atual presidente do Banco “herdou um abacaxi” e enfrentou uma crise já instalada. Na avaliação dele, a condução do caso pelo BC seguiu os procedimentos corretos.
— Galípolo tomou as medidas necessárias, inclusive com envolvimento do Ministério Público e Polícia Federal quando era o caso. Em crime, o BC não atua. Ele é o supervisor das instituições financeiras — observou.
Sem CPI
A investigação sobre o escândalo do Master, no entanto, tende a permanecer apenas na esfera da Polícia Federal (PF). O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta manhã que o pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possíveis fraudes financeiras relacionadas ao caso não será analisado de forma imediata pela Casa.
Segundo adiantou, o requerimento passará a integrar a fila regular de solicitações para abertura de CPIs na Casa. De acordo com Motta, a Câmara é obrigada a respeitar a ordem cronológica dos pedidos já protocolados; além de percorrer as normas regimentais que limitam o número de comissões de inquérito em funcionamento, simultaneamente.