A reação de Haddad, no entanto, foi lida na liderança da legenda como uma reafirmação de sua resistência em assumir o protagonismo eleitoral esperado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Por Redação – de Brasília
Ministro da Fazenda, o economista Fernando Haddad reagiu com bom-humor à cobrança pública da ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, na véspera, quanto à presença do correligionário na disputa pelo governo de São Paulo. A líder petista paranaense destacou a necessidade de engajamento dos principais quadros do partido nas eleições deste ano, em face da disputa com as forças neofascistas que avançam, no país.

A reação de Haddad, no entanto, foi lida na liderança da legenda como uma reafirmação de sua resistência em assumir o protagonismo eleitoral esperado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na chegada ao Ministério da Fazenda, na véspera, Haddad lembrou que já teve embates internos com Hoffmann ao longo do governo, até mesmo sobre a condução da política econômica.
— Estou comemorando a Gleisi ter me elogiado — brincou o ministro, ao desconversar sobre o apelo político feito pela colega de Esplanada.
Processo
Hoffmann tem sido enfática ao afirmar que o partido precisa mobilizar seus principais nomes para enfrentar a extrema-direita nos Estados, principalmente em São Paulo, um front estratégico para o projeto nacional do PT e para a campanha de reeleição do presidente. Segundo a ministra, a participação de Haddad seria fundamental nesse processo, ainda que a decisão final dependa de diálogo com o presidente.
— Todos têm que entrar em campo, todos têm que vestir a camisa e fazer aquilo que melhor sabem fazer na disputa. Eu defendo que todos os quadros nossos, inclusive o ministro (Fernando Haddad), sejam candidatos nesse processo eleitoral. Nós precisamos disso. Nós precisamos fazer essa disputa nos estados para a extrema-direita e precisamos instalar os nossos melhores quadros — sublinhou a ministra.
Palanque
Embora a cobrança pública e o esforço de dirigentes do partido tenham sido redobrados para construir uma candidatura competitiva em São Paulo, Haddad ainda não se comoveu com os apelos para que concorra nas eleições. O ministro tem dito preferir os bastidores da campanha presidencial, mas há o risco de o PT ficar sem um palanque robusto no maior colégio eleitoral do país.
— Eu tenho a intenção de colaborar com a campanha do presidente Lula, e disse isso a ele, que eu não pretendo ser candidato em 2026, mas quero dar uma contribuição para pensar o programa de governo, para pensar como estruturar a campanha dele — resumiu Haddad.