Rio de Janeiro, 02 de Junho de 2026

Flávio Bolsonaro é apontado por bancos como causador de problemas

Embora ninguém questione a necessidade de combater organizações criminosas, cresce o receio de que a classificação adotada pelos Estados Unidos produza efeitos colaterais sobre instituições financeiras brasileiras.

Segunda, 01 de Junho de 2026 às 21:13, por: CdB

Embora ninguém questione a necessidade de combater organizações criminosas, cresce o receio de que a classificação adotada pelos Estados Unidos produza efeitos colaterais sobre instituições financeiras brasileiras.

Por Redação – de São Paulo

A decisão do governo dos EUA de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas causa preocupação no sistema financeiro brasileiro e poderá significar uma nova frente de tensão diplomática entre Brasília e Washington. As instituições bancárias reunidas na Federação Brasileira de Bancos (Febraban) não descartam atuar ao lado do governo brasileiro na tentativa de convencer as autoridades norte-americanas a rever a medida, caso ela passe a afetar fluxos de capital e a economia do país.

Flávio Bolsonaro é apontado por bancos como causador de problemas | O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é alvo de inquérito da Polícia Federal
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é alvo de inquérito da Polícia Federal

Embora ninguém questione a necessidade de combater organizações criminosas, cresce o receio de que a classificação adotada pelos Estados Unidos produza efeitos colaterais sobre instituições financeiras brasileiras, investimentos internacionais e operações econômicas legítimas.

A avaliação de setores políticos é que o episódio tende a reforçar o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em defesa da soberania nacional e do respeito às instituições brasileiras. A medida anunciada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, é vista por integrantes do governo como mais um capítulo de iniciativas externas com potencial de interferir em assuntos internos do Brasil.

 

Articulações

O caso, porém, aumenta a pressão política sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que esteve nos Estados Unidos em articulações com integrantes da direita norte-americana e apoiadores do presidente Donald Trump. Adversários do parlamentar afirmam que suas iniciativas no exterior contribuíram para ampliar o ambiente de hostilidade contra instituições brasileiras e contra interesses estratégicos do país.

O principal ponto de inflexão dos bancos é a ausência de definições claras sobre quem poderá ser considerado vinculado às organizações classificadas como terroristas. O setor espera que o Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgue uma lista oficial de pessoas enquadradas nessa condição.

Segundo uma fonte do setor financeiro, a falta dessa delimitação torna a medida excessivamente ampla e gera insegurança para instituições financeiras.

 

Categorias

A expectativa é que os Estados Unidos adotem procedimento semelhante ao utilizado no México, onde autoridades norte-americanas divulgaram listas específicas após enquadrar organizações criminosas locais em categorias semelhantes.

Caso Washington não apresente essa relação, uma alternativa discutida seria a elaboração de uma base oficial por parte das autoridades brasileiras, permitindo maior previsibilidade para o sistema financeiro. A preocupação dos bancos não se limita às operações financeiras. O setor avalia que a medida pode gerar impactos econômicos, jurídicos e reputacionais para o Brasil.

A avaliação predominante em Brasília é que qualquer iniciativa capaz de gerar prejuízos à economia nacional tende a fortalecer o discurso de defesa da soberania adotado pelo presidente Lula, ao mesmo tempo em que amplia questionamentos sobre a atuação de lideranças políticas brasileiras que buscam apoio junto a setores estrangeiros para pressionar instituições do país.

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