Rio de Janeiro, 09 de Junho de 2026

Coordenador de campanha do Lula apoia aproximação ao centro

Wellington Dias, coordenador da campanha de Lula, destaca a importância de incluir setores da centro-direita para fortalecer a governabilidade em um possível novo mandato.

Terça, 09 de Junho de 2026 às 10:45, por: CdB

Ex-governador do Piauí e senador licenciado, Dias indica a necessidade de se reorganizar a base política a partir dos Estados.

Por Redação – do Rio de Janeiro

Um dos principais coordenadores da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, adiantou que está em curso a articulação para que os palanques estaduais possam incluir setores da centro-direita, com foco na governabilidade para um eventual novo mandato. Na coordenação para o Nordeste, Dias acredita que o governo precisa corrigir falhas na relação com aliados.

Ministro do Desenvolvimento Social Wellington Dias

O ministro falou, nesta segunda-feira, ao diário conservador carioca ‘O Globo’ e reconheceu que o terceiro mandato não conseguiu consolidar uma maioria simples na Câmara e no Senado. Ex-governador do Piauí e senador licenciado, Dias indica a necessidade de se reorganizar a base política a partir dos Estados. A estratégia eleitoral, segundo o líder petista, deve incluir mais de um palanque em diferentes unidades da federação.

 

Palanques

A composição política brasileira, segundo o ex-ministro, exige uma leitura local das alianças, já que há partidos e lideranças que atuam de maneira diferente no plano federal e nos Estados.

— Hoje não está claro, tem gente que é governo em Brasília e oposição no Estado, ou o contrário. Hoje, temos palanques nos Estados muito melhores do que tínhamos em 2022 — afirmou.

Dias disse que a montagem dos palanques deve levar em conta o compromisso efetivo de cada força política com o projeto liderado por Lula. Para ele, o erro foi tentar resolver a organização partidária apenas pela cúpula nacional.

— Você tem que compor com quem tem compromisso com o projeto. Os que se diziam governo, mas não atuavam assim, precisarão tomar a decisão. E isso está acontecendo. Estamos trabalhando com mais de um palanque em vários Estados: Maranhão, Paraíba, Pernambuco… — citou.

 

Pernambuco

Questionado sobre a possibilidade de duplo palanque em Pernambuco, Dias confirmou a articulação envolvendo João Campos e Raquel Lyra. O ministro lembrou que a governadora teve uma posição distinta ao longo da eleição de 2022.

— Sim. Lá temos o João Campos e a Raquel Lyra. Vamos lembrar que ela se colocou primeiro como oposição (em 2022) e no segundo turno teve uma posição mais de neutralidade, mas uma parte considerável do nosso time ficou com ela — reconhece.

Wellington Dias apontou como principal erro político do atual mandato a tentativa de buscar uma base de dois terços no Congresso, meta que, segundo ele, era inviável.

 

Maioria

Na avaliação do ministro, o governo deveria ter concentrado esforços na formação de uma maioria simples, suficiente para aprovar a maior parte das matérias em tramitação.

— A obsessão de ter dois terços na Câmara e no Senado, que era impossível, fez com que a gente não valorizasse a chance que tínhamos de ter acima de 257 votos na Câmara e acima de 41 no Senado — afirmou.

 

Diálogo

O ministro disse que Lula saiu da eleição de 2022 com uma base potencial que poderia ter sido melhor consolidada. Segundo ele, havia 39 senadores e 242 deputados eleitos que, de alguma forma, apoiaram o presidente no primeiro ou no segundo turno.

— A gente saiu do resultado da eleição de 2022 com 39 senadores. Bastava que a gente cuidasse bem deles, buscasse dialogar com mais parlamentares e teríamos uma maioria simples que é o que um governo precisa para 95% das matérias que chegam ao Parlamento — concluiu.

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