Rio de Janeiro, 25 de Julho de 2026

Lula eleva tom contra interferência externa nas eleições

Em convenção que oficializou Haddad ao governo de SP, presidente endurece discurso contra pressões de Washington após negativa de vistos a enviados do...

Sábado, 25 de Julho de 2026 às 14:15, por: CdB

Em convenção que oficializou Haddad ao governo de SP, presidente endurece discurso contra pressões de Washington após negativa de vistos a enviados do governo Trump.

Por Redação, com CartaCapital – de São Paulo

O presidente Lula (PT) aproveitou a convenção que oficializou a candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo para subir o tom contra o que classificou como tentativas de interferência externa nas eleições brasileiras. Sem citar nominalmente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ou o secretário de Estado, Marco Rubio, Lula afirmou que o resultado do pleito de outubro será definido exclusivamente pelos eleitores brasileiros e fez um recado direto a governos estrangeiros.

O presidente Lula na convenção do PT de São Paulo

– Que não venha ninguém de fora querer meter o dedo na nossa eleições […]. Portanto, quem quiser de fora vir se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo, vão apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir, quem vai decidir o destino desse país são 157 milhões de eleitores. Quem vai definir o destino de São Paulo são os eleitores de São Paulo – disse Lula.

As declarações ocorrem poucas horas depois de vir à tona que o governo brasileiro negou os pedidos de visto de dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos que pretendiam viajar ao país para questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro. A delegação seria formada por Riley M. Barnes, secretário adjunto, e Samuel Samson, subsecretário adjunto da pasta. Na avaliação do governo brasileiro, a missão representava uma tentativa de influenciar a eleição presidencial de outubro. 

O episódio ampliou uma escalada diplomática que vinha se intensificando nas últimas semanas. Desde o anúncio do novo tarifaço sobre produtos brasileiros, integrantes do governo Trump passaram a combinar críticas comerciais com ataques às instituições brasileiras. Marco Rubio tornou-se o principal porta-voz dessa ofensiva, fazendo sucessivas declarações sobre o processo eleitoral, o Supremo Tribunal Federal e a atuação da Justiça Eleitoral, além de anunciar medidas como a restrição de vistos a autoridades brasileiras. A retórica também foi acompanhada por manifestações públicas de Donald Trump em defesa de aliados da extrema-direita brasileira e críticas ao governo Lula. 

Palácio do Planalto

No Palácio do Planalto, a avaliação é que a tentativa de enviar representantes oficiais para colocar em dúvida o sistema de votação elevou o conflito a um novo patamar, ao transformar em iniciativa institucional uma narrativa que, até então, vinha sendo difundida por autoridades norte-americanas e aliados do bolsonarismo. O governo interpretou a viagem como uma ingerência direta em um processo eleitoral ainda em curso e decidiu impedir a entrada da comitiva antes mesmo de sua chegada ao país.

– O Brasil é soberano. O Brasil quer manter relações com todos os países do mundo. O Brasil não quer guerra. O Brasil quer paz. O Brasil não quer ódio, o Brasil quer amor. O Brasil não quer fazer futrica, o Brasil quer trabalhar. A gente quer viver decentemente, e é isso que a gente vai garantir – afirmou Lula na convenção do PT paulista.

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