“Não há dúvida de que o Brasil precisa fazer não apenas a reforma política, mas também a reforma do STF e de todo o sistema judiciário”, escreveu.
Da Redação – do Rio de Janeiro
O editorialista do Correio do Brasil Val Carvalho, em artigo publicado nesta quarta-feira, faz uma análise aprofundada do momento em que o Judiciário brasileiro atravessa. “Não há dúvida de que o Brasil precisa fazer não apenas a reforma política, mas também a reforma do STF e de todo o sistema judiciário”, escreveu.

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem declarado reiteradamente que, em seu quarto mandato, fará uma nova reforma do Judiciário, priorizando o tempo de mandato dos ministros, os critérios de suas escolhas e os limites éticos de sua atuação.
“Mas o que vimos na vespera, na sessão do STF, foi a explosão da bomba golpista montada em maio pelo ministro bolsonarista André Mendonça e programada para explodir às vésperas da eleição, como foi denunciado pelo ministro Alexandre de Moraes. O objetivo golpista é claro: a desmoralização desse ministro e da própria instituição do STF permitiria deslegitimar a condenação de Jair Bolsonaro e, mais importante, jogar essa desmoralização do Supremo no colo do candidato Lula, para tentar virar o jogo em benefício do candidato corrupto e miliciano, Flávio Bolsonaro.
Veemência
“Sob a fraquíssima presidência de Edson Fachin, dócil instrumento nas mãos da ala lavajatista e bolsonarista do Supremo, que também contou com a ministra sem opinião própria Carmem Lúcia, a ofensiva golpista de André Mendonça foi enfrentada e desmascarada com veemência pelos ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Flávio Dino. Este último, demonstrando todo o seu saber jurídico e capacidade de argumentação lógica, levantou a questão de ordem que deu encaminhamento a essa caótica sessão e, no final, diante do empate em 4 a 4, pediu vista, adiando, talvez para depois da eleição, a continuidade dessa discussão.
“O presidente Lula está certo ao enfatizar a quebra de todos os sigilos e que todos os ministros envolvidos têm de ser investigados e, se culpados, punidos. Lula não tem nenhuma relação com a crise do STF e tem de deixar isso bem claro para o eleitorado e a nação brasileira. O presidente lembra muito bem que foi esse mesmo STF que o condenou anos atrás”, redigiu.