A cientista política e professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Rosemary Segurado acredita que o cenário mudou de uma semana para cá e a possibilidade de afastamento de Bolsonaro hoje é mais concreta.
Por Redação, com RBA - de São Paulo
Repousam ao todo, na mesa do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), 24 pedidos de impedimento ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) protocolados por juristas, partidos políticos e mesmo ex-aliados do mandatário neofascista. A necessidade do afastamento de Bolsonaro, no entanto, ganhou mais força após ele participar da manifestação, no domingo, que pedia a volta da ditadura militar, um crime previsto em Lei.
A cientista política e professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Rosemary Segurado acredita que o cenário mudou de uma semana para cá e a possibilidade de afastamento de Bolsonaro hoje é mais concreta.
— O presidente endossou uma manifestação contra os pilares da democracia. Essa ação ultrapassa o limite e o pedido de impeachment é acertado. Há inúmeros crimes de responsabilidade cometidos por Bolsonaro, então há uma base para o processo — disse Rosemary à agência brasileira de notícias Rede Brasil Atual (RBA).
Liberais
Protocolado na véspera por Ciro Gomes, ex-governador do Ceará, e por Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, o novo pedido de impeachment acusa Bolsonaro de cometer crime de responsabilidade por incentivar atos contra o Legislativo e o Judiciário. Maia, responsável por analisar os processos, ainda não decidiu se dará, ou não, sequência à análise dos pedidos de impeachment.
A cientista política acredita que a posição de Maia é cômoda, já que ele precisa da figura do presidente para se colocar como uma espécie de antagonista.
— Maia precisa de Bolsonaro para se notabilizar como um líder sensato na crise. Por outro lado, circula nas redes bolsonaristas o pedido pelo impeachment de Maia. Eles são faces da mesma moeda. Ambos estão lá para defender os interesses liberais da economia do Brasil — ressalta.
Economia
Após as manifestações de domingo, os militares ganharam força no governo Bolsonaro. O ministro da Saúde, Nelson Teich, anunciou a escolha de um militar especializado em logística para ocupar o cargo de secretário-executivo do ministério, o segundo mais importante da pasta. O general Eduardo Pazuello assume o posto imediatamente.
Já na área econômica, o ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, ganhou força nesta semana e surgiu como o principal articulador político do governo. Ele anunciou ontem um plano de retomada da economia, chamado de Pró-Brasil, um esboço ainda não detalhado.
Recuo
O papel das Forças Armadas, no entanto, ainda é quase nenhum. Na última segunda-feira, por exemplo, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva , disse que os militares trabalham com o propósito de “manter a paz e a estabilidade do país”, obedecendo à “Constituição Federal”.
— As Forças Armadas não demonstraram de forma clara um posicionamento contra essas manifestações (antidemocráticas). O suposto recuo do Bolsonaro é um jogo que ele faz desde sua eleição, em que avança o sinal e depois dá um passo para trás. Ele intensifica sua medida golpista, precisando manter seus apoiadores mobilizados — critica.
‘Banho maria’
Para Rosemary, as Forças Armadas não se manifestam de maneira contundente contra os discursos antidemocráticos de Bolsonaro e seus apoiadores.
— É preciso uma posição mais enérgica das Forças Armadas, que tem uma participação grande no governo. Não fica claro se concordam ou discordam do Bolsonaro, mas vão mantendo a sociedade em banho maria, enquanto o presidente intensifica suas estratégias antidemocráticas — concluiu.