Rio de Janeiro, 24 de Junho de 2026

Wagner pode não ser último envolvido no caso Master, avalia PF

As investigações tentam desvendar um emaranhado de relacionamentos empresariais e financeiros iniciados com a privatização da Empresa Baiana de Alimentos...

Quarta, 24 de Junho de 2026 às 18:38, por: CdB

As investigações tentam desvendar um emaranhado de relacionamentos empresariais e financeiros iniciados com a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) e o cartão de crédito consignado Credcesta.

Por Redação – de Brasília

Interlocutores da Polícia Federal (PF) próximas ao inquérito sobre o Banco Master vazaram para a mídia conservadora, nesta quarta-feira, que a lista de denúncias quanto à relação de integrantes do PT da Bahia com investigados no caso poderá aumentar, nos próximos dias.

Jaques Wagner
Jaques Wagner deixou o cargo de líder do Governo no Senado

A jornalista Vera Rosa, do diário conservador paulistano ‘O Estado de S. Paulo’ (OESP), em sua coluna, citou pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), informadas nos últimos dias que; além do líder do governo no Senado, Jaques Wagner, o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa também poderá ser citado no inquérito em curso. Ambos governaram a Bahia e integram o núcleo político de maior confiança do presidente.

As investigações tentam desvendar um emaranhado de relacionamentos empresariais e financeiros iniciados com a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) e o cartão de crédito consignado Credcesta. Este produto foi utilizado pelos ex-banqueiros Augusto Lima e Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, na modalidade de crédito consignado, com desconto direto na folha salarial. O serviço expandiu-se no país em parceria com a instituição comandada por Vorcaro e integra a base do “maior escândalo financeiro da História brasileira”, na avaliação do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad.

 

Expectativa

De acordo com as apurações da PF, com base em depoimentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Wagner, o ex-ministro-chefe da Casa Civil Rui Costa e o ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira, foram citados como “uma ala” dentro do governo Lula favorável à operação do Banco Master com o Banco de Brasília (BRB).

A informação foi repassada pelo próprio Vorcaro em mensagem de texto em agosto de 2025, sob condição de anonimato, a um colunista de Brasília, e usada pela PF – após análise do celular de Vorcaro – para embasar junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) o pedido de busca e apreensão contra Wagner.

“No dia 19/08/2025, ao ser indagado pelo jornalista Alvaro Gribel, (do OESP), sobre quais integrantes do governo seriam favoráveis à operação de aquisição do Banco Master pelo BRB, Daniel Bueno Vorcaro responde expressamente: Rui (Costa), Jaques (Wagner), Alexandre Silveira. Referência que inclui o senador Jaques Wagner entre os apoiadores”.

 

Resposta

“Tal elemento é relevante do ponto de vista investigativo, pois indica que o próprio Vorcaro percebia o senador como aliado político em operação de natureza regulatória, sujeita a critérios técnicos do Banco Central (BC), sugerindo que o alinhamento do parlamentar transcendia o mero acompanhamento legislativo e alcançava o plano das articulações políticas institucionais”, diz a PF.

Rui Costa, em resposta às suspeitas, negou a acusação e lembrou que teve apenas um encontro com Daniel Vorcaro, em dezembro de 2024, durante uma audiência com o presidente Lula, no Palácio do Planalto. O ex-ministro costuma repetir a seguinte frase ao tratar do caso:

— Se ele passasse na minha frente, não saberia quem é.

Procurado pela reportagem do Correio do Brasil, nesta tarde, a assessoria do ministro Alexandre Silveira não respondeu imediatamente às chamadas.

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