Rio de Janeiro, 07 de Julho de 2026

Saúde destaca liderança da Espanha contra hepatite C

Atualmente, o Plano Estratégico para o Combate à Hepatite C no Sistema Nacional de Saúde permitiu colocar a Espanha entre os países europeus com menor...

Terça, 07 de Julho de 2026 às 10:45, por: CdB

Atualmente, o Plano Estratégico para o Combate à Hepatite C no Sistema Nacional de Saúde permitiu colocar a Espanha entre os países europeus com menor prevalência de infecção ativa.

Por Redação, com Europa Press – de Madri

O diretor-geral de Saúde Pública do Ministério da Saúde, Pedro Gullón, destacou que a Espanha se consolidou como referência internacional na eliminação das hepatites virais, especialmente da hepatite C, embora tenha alertado que o principal desafio é garantir que os recursos cheguem a toda a população, especialmente às pessoas que ainda não foram diagnosticadas ou que enfrentam barreiras para acessar o sistema de saúde.

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– Preencher as lacunas implica reforçar a busca ativa por pessoas não diagnosticadas, levar os serviços até os locais onde se encontram as populações mais vulneráveis, combater o estigma e a discriminação e manter uma perspectiva de saúde pública que vá além da assistência médica individual – explicou Gullón durante sua intervenção no evento “Closing the Gap. Viral Hepatitis 2030”, realizado no Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII).

Atualmente, o Plano Estratégico para o Combate à Hepatite C no Sistema Nacional de Saúde permitiu colocar a Espanha entre os países europeus com menor prevalência de infecção ativa, com uma taxa de 0,14%, após diagnosticar e tratar mais de 172 mil pessoas. Esses avanços colocam o país próximo de atingir a meta de eliminar a hepatite C como problema de saúde pública antes de 2030.

– Temos o conhecimento, temos as ferramentas e temos a experiência. Agora temos também a responsabilidade de seguir esse caminho até o fim – destacou Gullón durante estas jornadas organizadas pela Aliança para a Eliminação das Hepatites Virais na Espanha (AEHVE).

Por sua vez, a diretora do Departamento de HIV, Tuberculose, Hepatite e DSTs da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tereza Kasaeva, lembrou que, há dez anos, os Estados-membros assumiram o compromisso de eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030.

– Essa decisão traçou um rumo claro: prevenir novas infecções, diagnosticar as pessoas que vivem com hepatite B e C, garantir o acesso ao tratamento e aos cuidados de saúde e reduzir as mortes por cirrose e câncer de fígado – destacou ela.

No entanto, a especialista lamentou que os avanços continuem sendo “muito lentos e desiguais”. De acordo com o Relatório Mundial sobre Hepatite de 2024, a hepatite B e C continuam causando cerca de 1,3 milhão de mortes por ano, enquanto cerca de 300 milhões de pessoas vivem com uma infecção crônica por algum desses vírus.

Kasaeva destacou que as prioridades devem se concentrar em acelerar o diagnóstico e ampliar o acesso ao tratamento; reforçar a prevenção por meio da vacinação contra a hepatite B; e garantir a segurança do sangue e das injeções.

Em seguida, ela afirmou que, na Região Europeia da OMS, ainda existem lacunas significativas que afetam migrantes, usuários de drogas, pessoas em situação de exclusão social, a população carcerária e outros grupos que enfrentam barreiras para acessar o diagnóstico e o tratamento.

Nesse contexto, ela alertou que o mundo não está avançando no ritmo necessário para atingir as metas estabelecidas para 2030 e considerou imprescindível manter o compromisso político, reforçar a liderança dos países, consolidar os sistemas de saúde e de informação e promover uma abordagem multissetorial, centrada nas pessoas e baseada nos direitos humanos.

Mais recursos

Durante sua intervenção, a doutora Erika Duffell, do Centro Europeu para a Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês), indicou que a região europeia alcançou “avanços importantes” na última década graças à ampliação da vacinação contra a hepatite B, ao advento dos antivirais de ação direta para a hepatite C e à estratégia de eliminação promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

No entanto, ela destacou que apenas um terço dos países atingiu a meta de cobertura de 95% na vacinação contra a hepatite B.

Além disso, afirmou que a maioria das infecções por hepatite B e C continua sem diagnóstico e, embora o diagnóstico tardio tenha diminuído, muitos pacientes continuam sendo diagnosticados quando já apresentam cirrose ou câncer de fígado.

Por isso, ele pediu que se mantenha o compromisso político, se destinem mais recursos às populações mais vulneráveis e se implementem intervenções adaptadas às necessidades de cada país, para que a Europa possa alcançar a eliminação das hepatites virais até 2030.

Desigualdades

Durante sua intervenção, o diretor do Observatório Polaris da Fundação CDA, Homie Razavi, destacou que os países de alta renda estão obtendo avanços significativos no cumprimento da meta da OMS de eliminar a hepatite C até 2030.

Nesse sentido, ele citou como exemplo a Espanha, que, em sua opinião, demonstrou que a eliminação dessa doença requer uma estratégia integral que combine o rastreamento e o tratamento tanto da população em geral quanto dos grupos de maior risco e das pessoas privadas de liberdade nas prisões.

No entanto, Razavi alertou que, apesar da disponibilidade de exames diagnósticos e tratamentos gratuitos, aproximadamente dois terços dos pacientes com hepatite C não chegam a iniciar o tratamento. Por isso, ele ressaltou a importância de fortalecer o vínculo dos pacientes com o sistema de saúde, bem como de promover programas de conscientização que favoreçam o acesso aos cuidados médicos.

– Nos países ocidentais, a imigração continuará sendo um fator-chave para alcançar os objetivos de eliminação. É essencial implementar programas de detecção e tratamento voltados especificamente para a população imigrante, a fim de garantir sua inclusão nos esforços de eliminação – concluiu.

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