O presidente do Congresso foi um dos poucos integrantes do chamado ‘Centrão’ a se posicionar abertamente em defesa do ex-governador baiano.
Por Redação – de Brasília
O senador Jaques Wagner (PT-BA), ainda na liderança do Governo no Senado, tem uma reunião marcada para esta quarta-feira com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), em meio às articulações que antecedem sua saída da função. O encontro tem como principal objetivo agradecer a Alcolumbre pelo apoio público manifestado ao parlamentar petista após a operação realizada pela Polícia Federal (PF), na semana passada.

O presidente do Congresso foi um dos poucos integrantes do chamado ‘Centrão’ a se posicionar abertamente em defesa do ex-governador baiano. Além do gesto de agradecimento, Jaques Wagner deve assumir um papel de interlocutor político para tentar reaproximar Alcolumbre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Dirigentes do PT ouvidos pelo canal norte-americano de TV CNN disseram que o senador pretende contribuir para a retomada do diálogo entre os dois líderes, mesmo diante da perspectiva de deixar o posto de líder do governo. Nos bastidores, integrantes de partidos de centro avaliam que Alcolumbre vê com preocupação a saída de Jaques da liderança governista.
Derrotas
Wagner é considerado um interlocutor de confiança e desempenhou papel relevante na interlocução entre o Palácio do Planalto e o Senado ao longo dos últimos anos. A relação construída entre os senadores foi um dos fatores que ajudaram a manter o petista na Liderança do Governo, mesmo em momentos de desgaste político e diante de derrotas sofridas pelo Executivo em votações importantes no Senado.
Ainda nesta quarta-feira, Lula e Jaques Wagner devem discutir oficialmente a saída do senador da função de líder do governo na Casa. A mudança vem sendo tratada nos bastidores desde o início da semana.
Na segunda-feira, o presidente reuniu-se com auxiliares e aliados do Palácio do Planalto para avaliar o cenário político. Conforme o diagnóstico apresentado por integrantes do governo, a substituição de Jaques na liderança seria uma medida necessária para reduzir os impactos da crise e preservar a imagem de Lula em um contexto de preparação para a disputa pela reeleição.
Caso Master
Nessa mesma direção, os coordenadores da campanha petista à reeleição avaliam que o escândalo envolvendo Jaques Wagner no caso Banco Master já começa a causar danos eleitorais ao presidente. Dirigentes reunidos a portas fechadas, na véspera, decidiram recomendar que Wagner deixe o cargo o mais rápido possível.
A orientação, segundo apurou a mídia conservadora, será acompanhada de uma mudança de discurso do PT diante da crise. A legenda pretende afirmar publicamente que apoia as investigações sobre as irregularidades atribuídas ao Banco Master, independentemente de quem seja atingido — oposição ou aliado.
O diagnóstico da cúpula petista é que a permanência de Wagner na liderança do governo se tornou politicamente insustentável. Até a reunião do comando da campanha de Lula, o senador não pretendia deixar o posto, sob o argumento de que uma renúncia poderia ser interpretada como confissão de culpa. Wagner nega ter recebido propina do Banco Master.