Rio de Janeiro, 13 de Fevereiro de 2026

Pressão sobre Toffoli aumenta e ministro dobra aposta, no caso Master

Investigação da PF revela ligações de Toffoli com o caso Master, levando à solicitação de sua suspeição na relatoria do processo. Entenda os detalhes.

Quinta, 12 de Fevereiro de 2026 às 19:26, por: CdB

As menções teriam levado a PF a solicitar a suspeição de Toffoli na relatoria do processo diretamente ao presidente do STF, Edson Fachin.

Por Redação – de Brasília

O acesso dos investigadores que apuram os crimes cometidos no escândalo do Banco Master detectaram mensagens que envolvem o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), José Antônio Dias Toffoli. Na análise de aparelhos eletrônicos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apreendidos pela Polícia Federal (PF) e vazados pela mídia conservadora, o ministro relator do caso é citado em registro de conversas com o empresário que cumpre, atualmente, prisão domiciliar.

Pressão sobre Toffoli aumenta e ministro dobra aposta, no caso Master | Ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli é o relator do processo sobre o caso Master
Ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli é o relator do processo sobre o caso Master

As menções teriam levado a PF a solicitar a suspeição de Toffoli na relatoria do processo diretamente ao presidente do STF, Edson Fachin. Em entrevista ao diário conservador carioca ‘O Globo’, nesta quinta-feira, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirma que “o STF saberá analisar” se afastará, ou não, o ministro da relatoria das investigações por suspeita de conflito de interesses.

A suspeição é um instrumento jurídico usado para questionar a imparcialidade de um magistrado, que poderá ser arguida quando há indícios de vínculo, interesse ou circunstâncias que possam comprometer a isenção do julgador. Nenhum fato, no entanto, encontra-se provado até agora contra o ministro.

 

Conversas

O material, sob sigilo de Justiça, apontaria para uma relação de proximidade entre Toffoli e Vorcaro, incluindo uma série de conversas constantes entre ambos, nos aparelhos apreendidos. Toffoli, no entanto, determinou que todas as evidências sejam encaminhadas ao seu gabinete. Ainda assim, o trabalho da PF não para.

— Se encontrarmos pessoas de grande estatura política, social e econômica, vamos em frente — afirmou Rodrigues.

Toffoli também admitiu em nota pública, divulgada nesta manhã, que recebeu dinheiro da Maridt, empresa que vendeu ações do resort Tayayá a um fundo gerido por familiares de Vorcaro, ainda em 2021. Pela primeira vez, ficou confirmado que o ministro é sócio direto da companhia, ao lado dos irmãos José Carlos e José Eugênio.

 

Documento

O relatório da PF destaca que o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e suposto operador do banqueiro, detido também pela PF, era um interlocutor frequente sobre os negócios envolvendo o resort. Em sua defesa, Toffoli sustenta que os repasses são lucros societários legítimos:

“Todas as transferências de recursos, feitas ao longo de diversos anos, foram lícitas e declaradas à Receita Federal. Têm origem e destino rastreáveis”, afirma o ministro, em nota. Toffoli, no documento, reagiu ao material produzido pela PF, questionando a autoridade da instituição para sugerir seu afastamento do caso:

“O relatório da PF trata de ilações. A corporação não tem legitimidade para pedir minha suspeição por não ser parte no processo. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo ministro ao presidente da Corte”, acrescentou. A atuação de Toffoli na condução do inquérito sobre o Master, que foi alvo de liquidação extrajudicial pelo Banco Central, tem sido questionada dentro e fora do STF.

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