Rio de Janeiro, 11 de Fevereiro de 2026

MDB, dividido, discute se o futuro será na campanha de Lula

MDB discute futuro político: apoio a Lula ou neutralidade nas eleições? Diretórios estaduais têm posições divergentes.

Quarta, 11 de Fevereiro de 2026 às 20:18, por: CdB

A direção nacional da legenda, frente à realidade, já considera a hipótese de neutralidade nas próximas eleições. Assim, cada Estado decidirá sua posição e a forma como seus filiados se posicionarão, na campanha eleitoral para o Palácio do Planalto.

Por Redação – de São Paulo

Mais indeciso do que nunca, o MDB chega ao ano eleitoral pronto para um possível apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao mesmo tempo em que, segundo levantamento interno da direção nacional, há 16 diretórios estaduais ainda contrários ao alinhamento com o governo. Outros 11 querem promover a aliança.

MDB, dividido, discute se o futuro será na campanha de Lula | Calheiros acredita que poderá unir o MDB em torno da candidatura do presidente Lula
Calheiros acredita que poderá unir o MDB em torno da candidatura do presidente Lula

A direção nacional da legenda, frente à realidade, já considera a hipótese de neutralidade nas próximas eleições. Assim, cada Estado decidirá sua posição e a forma como seus filiados se posicionarão, na campanha eleitoral para o Palácio do Planalto. No Diretório Nacional, porém, permanece o desejo de levar adiante a prioridade estratégica do partido, de integrar os palanques estaduais.

A decisão formal sobre o posicionamento na eleição presidencial será tomada apenas na convenção nacional, instância que reúne parlamentares, presidentes de diretórios e delegados. Estados com maior desempenho eleitoral nas últimas eleições têm peso ampliado nas decisões internas do colegiado. A última vez que o MDB esteve oficialmente ao lado do PT em uma eleição presidencial foi nas campanhas de Dilma Rousseff, quando indicou Michel Temer como vice. O resultado foi a deposição de Rousseff e a consequente eleição de Jair Bolsonaro (PL).

Divisões

As dissidências regionais, no entanto, estiveram presentes nos pleitos de 2010 e 2014, quando setores da legenda apoiaram candidatos do PSDB. A ruptura entre as duas siglas se consolidou após o golpe contra Dilma, e a reaproximação ocorreu de forma gradual, com divisões mais evidentes a partir do segundo turno de 2022.

Presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, destacou a tradição descentralizada da legenda.

— Nosso foco é na montagem dos palanques estaduais, respeitando a estratégia eleitoral de cada diretório. Essa é uma característica histórica do MDB. Por isso, sempre digo: o MDB não tem dono — afirmou.

Esplanada

Os diretórios favoráveis ao apoio a Lula concentram-se principalmente nas regiões Norte e Nordeste. No Pará, reduto do governador Helder Barbalho, há alinhamento total com o governo. O ministro das Cidades, Jader Filho, tem dito à mídia conservadora que considera “questão de coerência” o MDB apoiar o presidente, posto a legenda ocupar ministérios estratégicos na Esplanada.

Em Alagoas, onde o ministro dos Transportes, Renan Filho, é apontado como possível candidato ao governo estadual, também há inclinação favorável ao Planalto. O filho do senador Renan Calheiros (MDB-AL) está entre os nomes cogitados para compor uma eventual chapa presidencial como vice, caso o MDB formalize apoio. Outra possibilidade mencionada é a de Helder Barbalho. De acordo com o senador alagoano, a proposta partiu do próprio presidente.

— Quem falou isso (de ter a vice) foi o Lula, não fomos nós. Ele tratou disso comigo no dia 17 de dezembro, na Granja do Torto — adiantou, após lembrar a necessidade de um convite formal para que a legenda passe a discutir, abertamente, a solução.

Centro-Oeste

Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, a resistência ao alinhamento com o PT é visível. A ponto de a ministra do Planejamento, Simone Tebet, avaliar a migração para o PSB e, assim, concorrer a uma cadeira ao Senado pelo Estado. O prefeito da capital, Ricardo Nunes, aliado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem sido um dos principais apoiadores da candidatura de ultradireita, do senador Flávio Bolsonaro (PL).

No Centro-Oeste, o cenário também é pende mais para o conservadorismo. Em Goiás, o vice-governador Daniel Vilela é aposta do MDB para a sucessão estadual, enquanto o atual governador Ronaldo Caiado (PSD) se coloca como pré-candidato ao Planalto. Vilela, todavia, afasta completamente uma aliança com o PT.

— Não vejo a mínima possibilidade de aliança entre MDB e o PT. Defendo que o MDB faça parte da construção de uma frente de centro-direita — concluiu Vilela.

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