Nos preparativos para a viagem, a equipe de assessores internacionais do Palácio do Planalto considera as possibilidades do encontro transcorrer de forma tranquila, mas não descarta integralmente alguma situação mais tensa.
Por Redação – de Brasília
Autodeclarado um “social-democrata revolucionário”, em seu discurso no aniversário do PT, na véspera, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu, nesta segunda-feira, um roteiro detalhado da visita programada ao ultracapitalista Donald Trump, na primeira semana de março. Entre as indicações, o corpo diplomático brasileiro não descartou a hipótese de alguma armadilha por parte do dirigente norte-americano.

Nos preparativos para a viagem, a equipe de assessores internacionais do Palácio do Planalto considera as possibilidades do encontro transcorrer de forma tranquila, mas não descarta integralmente alguma situação mais tensa. Interlocutores do Itamaraty, em face do histórico de Trump, avaliam a possibilidade de algum constrangimento durante o encontro.
Recentemente, Trump já protagonizou episódios em que teria usado reuniões oficiais para expor ou desqualificar líderes estrangeiros, como ocorreu com os presidentes Volodymyr Zelensky, da Ucrânia, e Cyril Ramaphosa, da África do Sul, país fundador do grupo BRICS, do qual o Brasil integra.
Experiência
Fontes do governo, no entanto, admitem que a relação construída os chefes de Estado tem sido positiva, o que reduz a margem para provocações de parte a parte, mas consideram adequado não subestimar tal possibilidade. O entendimento do corpo diplomático envolvido na preparação da viagem a Washington é que, apesar dos sinais positivos encaminhados pela Casa Branca, o dirigente norte-americano é uma pessoa imprevisível, na maioria do tempo.
Em face do histórico conturbado, a diplomacia brasileira considera que ainda há ainda outro ponto a ser definido. Até agora, os EUA ainda não definiram qual será o formato do encontro. O governo brasileiro não sabe se Lula será recebido em uma visita de chefe de Estado, com o habituais salamaleques, ou se será apenas um encontro bilateral mais simples, com menor carga protocolar. Tal indefinição é um ponto de inflexão para o Itamaraty, uma vez que o formato poderá influenciar o grau de exposição pública do convidado brasileiro.
Diante do vários cenários possíveis, integrantes do governo avaliam que Lula tem condições de administrar imprevistos. A estratégia inicial, levada ao presidente, inclui respostas e comportamentos para as mais diversas situações, entre elas os momentos potencialmente desconfortáveis que possam surgir em algum momento do encontro.
Minas Gerais
Mesmo diante da proximidade do encontro entre ele e Trump, o presidente não abandona seus objetivos internos. Nesta manhã, no Palácio do Planalto, Lula disse a aliados que pretende se reunir ainda nesta semana com o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). O encontro tende a ocorrer antes do início do carnaval, para tratar diretamente das articulações eleitorais de 2026, com foco especial no cenário de Minas Gerais.
A conversa entre Lula e Pacheco, segundo fontes no Planalto, objetiva convencer o senador, definitivamente, a aceitar a missão de concorrer ao governo mineiro, considerado estratégico para os estrategistas políticos do presidente. Lula levará a Pacheco a proposta de uma aliança imbatível para a conquista do maior colégio eleitoral do país.
— Não tem plano B. É Pacheco até essa reunião acontecer. Lula está com hiperfoco — resumiu um interlocutor do presidente, em condição de anonimato, à mídia conservadora.