Rio de Janeiro, 08 de Janeiro de 2026

Polícia descobre novo ‘resort’ ligado ao traficante Peixão em Nova Iguaçu

Operação da Polícia Civil revela área em construção ligada ao traficante Peixão, com piscina e churrasqueira em Nova Iguaçu. Três suspeitos foram presos.

Quarta, 07 de Janeiro de 2026 às 11:35, por: CdB

Em uma operação nesta quarta-feira, os agentes encontraram uma área em construção, com piscina e churrasqueira em uma localidade conhecida como Buraco do Boi, em Nova Iguaçu.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

A Polícia Civil encontrou um “novo resort” do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, líder do Terceiro Comando Puro (TCP).

Polícia descobre novo ‘resort’ ligado ao traficante Peixão em Nova Iguaçu | A piscina na construção que, segundo a polícia, seria usada por Peixão como área de lazer
A piscina na construção que, segundo a polícia, seria usada por Peixão como área de lazer

Em uma operação nesta quarta-feira, os agentes encontraram uma área em construção, com piscina e churrasqueira em uma localidade conhecida como Buraco do Boi, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Três suspeitos foram presos em uma área de mata próximo ao local. Um fuzil acabou sendo apreendido.

O espaço ostentava pichações com a expressão “Exército de Israel” e a Estrela de David, símbolo religioso apropriado pelos criminosos para representar o grupo ligado a Peixão.

A operação policial, que contou com a participação de delegacias especializadas da Baixada Fluminense, mira o envolvimento do grupo em crimes como tráfico de drogas, roubos de cargas e de veículos.

Uma operação policial para capturar Peixão em março de 2025 identificou um “resort de luxo do crime” no Complexo de Israel, Zona Norte do Rio. No local, havia piscina, uma academia com aparelhos modernos e até um lago artificial para a criação de carpas. O imóvel de luxo foi construído em uma área de preservação ambiental.

Em expansão das suas atividades criminosas, a facção liderada pelo traficante também passou a investir na guerra contra o Comando Vermelho, principal facção criminosa do Rio. A Polícia Federal indica que Peixão importou fuzis anti-drone da China. O bloqueador de sinais de alta tecnologia impede o rastreamento de veículos e celulares.

Taxas, agressões e intolerância religiosa, diz denúncia

Peixão também é investigado em um processo instaurado pelo MP do Rio após denúncias anônimas feitas no fim de 2024 por moradores da favela Cinco Bocas, em Brás de Pina, Zona Norte do Rio.

Segundo eles, o traficante ordenou que carros antigos fossem rebocados do local e proibiu roupas brancas por pessoas de religião de matriz africana em um caso de intolerância religiosa. Ele foi acusado de ataques contra religiões diferentes.

Em julho de 2024, Peixão teria espalhado rumores entre moradores do Complexo de Israel de que bandidos armados iriam a igrejas católicas da região para fechá-las. Por precaução, três igrejas fecharam temporariamente.

A postura “linha dura” adotada na favela também inclui “vasculhar o conteúdo” dos celulares em abordagens, com casos de agressão e até expulsão de um morador. Ele também foi acusado de cobrar taxas, ordenar abordagens a visitantes de moradores e de colocar “olheiros” do tráfico nos terraços das casas. Ainda de acordo com a denúncia, moradores com três meses de atraso no pagamento do condomínio em prédios sob o domínio do “bonde do Peixão” são expulsos.

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