A ofensiva contra as bets ganhou força no Planalto porque Lula quer chegar a uma definição antes do primeiro turno das eleições, de modo a incorporar o tema à propaganda eleitoral.
Da Redação – de Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve definir nesta quarta-feira qual será a proposta do governo para restringir ou proibir as bets no país, após retornar da participação na Assembleia-Geral da ONU, em Nova York. A decisão será tomada em meio à pressão por uma resposta do Planalto ao avanço das apostas online e ao impacto social atribuído ao setor.

A assessoria do presidente confirmou o encontro, nesta tarde, no Palácio da Alvorada, entre Lula e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, que participou nas últimas semanas das discussões internas sobre o tema. A equipe econômica já apresentou os caminhos possíveis, mas a palavra final caberá ao presidente.
O governo trabalha com duas alternativas principais. A primeira é a proibição total das bets, o que atingiria tanto os cassinos online, como o chamado ‘jogo do tigrinho’, quanto as apostas em eventos esportivos. A segunda é uma restrição parcial, com veto apenas aos cassinos online.
Medidas
A ofensiva contra as bets ganhou força no Planalto porque Lula quer chegar a uma definição antes do primeiro turno das eleições, de modo a incorporar o tema à propaganda eleitoral. O presidente tem defendido publicamente medidas duras contra o setor e já afirmou ser pessoalmente favorável ao fim das apostas.
— Eu, pessoalmente, acabaria com as bets. Acho que elas são um mal para a sociedade. Agora, como presidente da República, sei que tenho que compartilhar decisões para fazer da forma mais correta possível, sem comprometer a estabilidade política, econômica e social deste país — afirmou Lula, anteriormente.
A avaliação dentro do governo é que o tema tem forte apelo popular. Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira aponta que 75% dos brasileiros são favoráveis à proibição das bets. O levantamento também mostra que 60% dos entrevistados consideram que a atividade traz apenas prejuízos à sociedade.
Disseminação
Ao mesmo tempo, a pesquisa acendeu um alerta político para o Planalto. De acordo com o levantamento, 36% dos brasileiros atribuem ao governo Lula a principal responsabilidade pela disseminação das bets no país. Outros 25,4% responsabilizam o governo de Jair Bolsonaro (PL).
A decisão de Lula, portanto, terá peso não apenas regulatório, mas também político. O Planalto tenta responder a uma demanda majoritária da população e, ao mesmo tempo, reduzir o desgaste provocado pela percepção de que o atual governo permitiu a expansão do segmento de apostas, no país.