Rio de Janeiro, 14 de Janeiro de 2026

Governo da Venezuela diz soltar mais de 400 presos, ONGs contestam

Governo da Venezuela anuncia libertação de mais de 400 presos, mas ONGs afirmam que centenas de detidos políticos ainda estão encarcerados e criticam falta de transparência.

Quarta, 14 de Janeiro de 2026 às 11:02, por: CdB

As ONGs também denunciam a falta de transparência e a lentidão do processo, além de destacar que centenas de pessoas consideradas detidas por motivos políticos permanecem presas.

Por Redação, com ANSA – de Caracas

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, anunciou que mais de 400 pessoas foram libertadas das prisões do país nas últimas semanas como parte de um processo que o governo apresenta como um gesto de “paz” e promoção da “convivência civil”.

Governo da Venezuela diz soltar mais de 400 presos, ONGs contestam | Famílias protestam pela libertação de presos políticos
Famílias protestam pela libertação de presos políticos

Rodríguez, aliado do governo interino que assumiu após a captura do presidente Nicolás Maduro, fez o anúncio na noite de terça-feira, durante uma sessão parlamentar.

O venezuelano, porém, não divulgou um cronograma detalhado ou uma lista oficial com os nomes dos libertados — um ponto que tem gerado dúvidas e críticas.

Organizações de direitos humanos contestam fortemente a versão oficial. Para a ONG Foro Penal, que acompanha casos de detenção por motivos políticos na Venezuela, o número real de libertados estaria entre 60 e 70 pessoas, uma discrepância considerável em relação aos números citados por Rodríguez.

ONGs

As ONGs também denunciam a falta de transparência e a lentidão do processo, além de destacar que centenas de pessoas consideradas detidas por motivos políticos permanecem presas sem informações adequadas.

Entre os novos libertados, ao menos quatro são norte-americanos, informou um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, que classificou a medida como “um passo importante na direção certa”.

– Saudamos a libertação dos americanos detidos na Venezuela – declarou. “Este é um passo importante na direção certa por parte das autoridades interinas”.

Esta é a primeira libertação conhecida de detidos americanos desde a deposição de Maduro. Para Rodríguez, as libertações representam um gesto de paz, tendo sido unilaterais e não acordadas com nenhuma outra parte.

No último dia 12 de janeiro, dois italianos — o trabalhador humanitário Alberto Trentini e o empresário Mario Burlò — também foram libertados, após uma “cooperação construtiva” demonstrada pela presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, e por “todas as instituições e pessoas na Itália que trabalharam com empenho e discrição para alcançar este importante resultado”, segundo a premiê Giorgia Meloni. 

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