As ONGs também denunciam a falta de transparência e a lentidão do processo, além de destacar que centenas de pessoas consideradas detidas por motivos políticos permanecem presas.
Por Redação, com ANSA – de Caracas
O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, anunciou que mais de 400 pessoas foram libertadas das prisões do país nas últimas semanas como parte de um processo que o governo apresenta como um gesto de “paz” e promoção da “convivência civil”.

Rodríguez, aliado do governo interino que assumiu após a captura do presidente Nicolás Maduro, fez o anúncio na noite de terça-feira, durante uma sessão parlamentar.
O venezuelano, porém, não divulgou um cronograma detalhado ou uma lista oficial com os nomes dos libertados — um ponto que tem gerado dúvidas e críticas.
Organizações de direitos humanos contestam fortemente a versão oficial. Para a ONG Foro Penal, que acompanha casos de detenção por motivos políticos na Venezuela, o número real de libertados estaria entre 60 e 70 pessoas, uma discrepância considerável em relação aos números citados por Rodríguez.
ONGs
As ONGs também denunciam a falta de transparência e a lentidão do processo, além de destacar que centenas de pessoas consideradas detidas por motivos políticos permanecem presas sem informações adequadas.
Entre os novos libertados, ao menos quatro são norte-americanos, informou um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, que classificou a medida como “um passo importante na direção certa”.
– Saudamos a libertação dos americanos detidos na Venezuela – declarou. “Este é um passo importante na direção certa por parte das autoridades interinas”.
Esta é a primeira libertação conhecida de detidos americanos desde a deposição de Maduro. Para Rodríguez, as libertações representam um gesto de paz, tendo sido unilaterais e não acordadas com nenhuma outra parte.
No último dia 12 de janeiro, dois italianos — o trabalhador humanitário Alberto Trentini e o empresário Mario Burlò — também foram libertados, após uma “cooperação construtiva” demonstrada pela presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, e por “todas as instituições e pessoas na Itália que trabalharam com empenho e discrição para alcançar este importante resultado”, segundo a premiê Giorgia Meloni.