Nesta manhã, após o discurso do filho ’01’, como é conhecido o parlamentar bolsonarista, o ministro do STF Gilmar Mendes criticou duramente as insinuações. Mendes destacou a integridade do processo de votação no país.
Por Redação – de Brasília
As declarações do pré-candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (RJ), acerca da segurança das urnas eletrônicas brasileiras, foram “graves” e “absurdas”, para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Na véspera, o parlamentar levantou suspeitas de que os equipamentos utilizados no Brasil teriam a mesma origem daqueles empregados na Venezuela e mencionados em um relatório da agência de Inteligência norte-americana (CIA, na sigla em inglês) referente a supostos esquemas de fraude.

Nesta manhã, após o discurso do filho ’01’, como é conhecido o parlamentar bolsonarista, o ministro do STF Gilmar Mendes criticou duramente as insinuações. Mendes destacou a integridade do processo de votação no país.
— Essas colocações do senador Flávio Bolsonaro são graves e absurdas. Nosso sistema eleitoral é totalmente confiável — afirmou Mendes, a jornalistas.
Suspeição
Para o decano do STF, o uso de relatórios ou episódios de outros países com o objetivo de colocar sob suspeição as urnas eletrônicas nacionais representa uma interferência indevida no debate público.
Outros integrantes do Supremo ouvidos reservadamente destacaram que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já havia desmentido formalmente, em ocasiões anteriores, os boatos que vinculam o sistema brasileiro à empresa venezuelana Smartmatic. As informações falsas circulam em redes sociais de apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) e tentam sustentar a narrativa de vulnerabilidade das urnas.
Na avaliação dos magistrados, não é cabível que o parlamentar volte a levantar dúvidas sobre um tema cujo conteúdo já foi comprovadamente refutado pelas autoridades eleitorais. Integrantes da Corte avaliaram ainda que a conduta de Flávio Bolsonaro segue um “roteiro semelhante” ao utilizado por seu pai, que adotava linha de ataque parecida ao questionar a integridade do processo eleitoral — como na reunião realizada com embaixadores no Palácio da Alvorada.
Desculpas
A forte repercussão negativa nos meios jurídico e político das declarações de ’01’ levou o comando da campanha bolsonarista divulgou nota oficial na qual alega que o senador “não colocou em dúvida o sistema brasileiro de votação”. O documento sustenta que o parlamentar limitou-se a citar o relatório atribuído à agência de inteligência norte-americana sobre as eleições venezuelanas.
A nota da campanha, porém, omite qualquer explicação sobre a declaração específica do senador de que as urnas brasileiras teriam a mesma origem dos sistemas citados no documento, o que é flagrantemente uma notícia falsa.
Diante deste fato, o presidente do PT, jornalista Edinho Silva, afirmou que o pré-candidato do PL “prova que tem a mesma cultura golpista do pai, Jair Bolsonaro”. O dirigente petista também informou que a legenda avalia a adoção de medidas judiciais sobre o caso.
“O senador reuniu diplomatas internacionais para questionar as urnas eletrônicas e, por consequência, o sistema eleitoral brasileiro, pelo qual ele foi eleito parlamentar por diversas vezes, bem como seus familiares”, resumiu.