A campanha do presidente Lula pretendia pautar a votação definitiva para a semana seguinte, aproveitando o período que antecede o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro.
Por Redação – de Brasília
A onda azul que levou o candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (RJ), ou filho ’01’ como também é conhecido, à liderança de um segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já influi no trâmite da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6×1. A matéria está em pauta do Plenário da Casa, nesta terça-feira (6), mas o cenário de votação sofreu uma reviravolta política drástica.

Embora o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (UB-AP), tenha pautado três sessões consecutivas de debates para esta semana, parlamentares aliados ao Palácio do Planalto já admitiam, nos bastidores, que o avanço da bancada de direita no Congresso tornou a aprovação do texto inviável, por enquanto.
A discussão em Plenário antes que uma PEC possa ser submetida à votação em primeiro turno precisa, necessariamente, de acordo com o rito legislativo do Senado, de cinco sessões sequenciais. O cronograma oficial prevê debates nas tardes de terça), quarta e quinta-feiras.
Urnas
A campanha do presidente Lula pretendia pautar a votação definitiva para a semana seguinte, aproveitando o período que antecede o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. Agora, no entanto, integrantes do governo avaliam que as eleições deste domingo alteraram de forma definitiva a correlação de forças na Casa e jogaram a iniciativa no vazio.
O crescimento expressivo do Partido Liberal (PL) e de outras legendas conservadoras no Legislativo apontam para um recuo estratégico. Aliados preveem que Davi Alcolumbre, de olho na sua campanha de reeleição à presidência do Senado, deve “tirar o pé do acelerador” para evitar atritos com a oposição e abrir canais de diálogo com ’01′.
Desde o início do trâmite dessa matéria, o PL e seus líderes posicionam-se contra a discussão da medida antes do resultado final segundo turno. O candidato do PL encerrou o primeiro turno na liderança da disputa, e a sigla saiu das urnas consagrada como a maior bancada tanto na Câmara quanto no Senado. A partir do próximo ano, o partido contará com 28 senadores, volume que representa mais de um terço do total de cadeiras da Casa Legislativa.
Reflexos
Apesar da manutenção da pauta, não há garantias de que a votação do texto ocorra efetivamente antes da realização do segundo turno. A matéria sofre forte pressão contrária por parte do setor produtivo para que não seja deliberada antes do desfecho eleitoral. Paralelamente, a bancada do PL atua para adiar a apreciação do texto. Para que uma PEC seja aprovada, são necessários os votos favoráveis de pelo menos 49 senadores, em dois turnos de votação.
Embora os senadores eleitos tomem posse apenas em fevereiro do ano que vem, a nova dimensão da bancada do PL já produz reflexos nas articulações políticas dentro do Senado, assumindo papel relevante nas negociações para a futura eleição da presidência da Casa.
Ao longo do período eleitoral, Lula buscou reaproximação com os comandos do Legislativo. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que articulou a aprovação do fim da jornada 6×1 pelos deputados no mês de março, engajou-se na campanha do presidente em seu Estado.
Davi Alcolumbre, por sua vez, não adotou a mesma posição ostensiva de apoio a Lula, na campanha, mas promoveu uma aproximação com o Poder Executivo e teceu críticas a ’01′. Nos últimos meses, Lula e o presidente do Senado reataram relações após um período de afastamento motivado pela rejeição, por parte do Senado, da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).