A expectativa discutida nos bastidores é que a votação ocorra entre o primeiro e o segundo turnos, se houver uma votação suplementar.
Da Redação – de Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu avançar nas negociações para tentar levar ao Plenário do Senado a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, logo após o primeiro turno das eleições, mesmo se houver um segundo turno de votação. As conversas têm sido conduzidas há semanas nos bastidores, e integrantes do governo receberam, nos últimos dias, uma sinalização positiva da cúpula do Senado de que Davi Alcolumbre (UB-AP) pautará a matéria, segundo apuração do canal de TV norte-americano CNN Brasil.

A expectativa discutida nos bastidores é que a votação ocorra entre o primeiro e o segundo turnos, se houver uma votação suplementar. A possibilidade de uma sessão já na próxima semana está sobre a mesa, embora ainda não haja data definida.
As negociações são relevantes uma vez que, no início de setembro, Alcolumbre havia afirmado publicamente que a proposta seria levada ao Plenário somente após as eleições. A reversão desse cronograma não é casual: a votação passou a ocupar espaço central na estratégia eleitoral do Palácio do Planalto.
Campanha
Um dos dirigentes da campanha, ouvido pela equipe de reportagem da CNN Brasil, avalia é que a aprovação do fim da escala 6×1 pode fortalecer Lula em uma disputa apertada com o senador Flávio Bolsonaro (PL) — ou filho ’01’ como também é conhecido —, com pesquisas de opinião apontando que os dois candidatos aparecem empatados, dentro da margem de erro, em cenários diversos.
Integrantes da campanha veem a redução da jornada como medida capaz de mobilizar o eleitorado trabalhador, já na reta final. O tema ganhou força dentro do governo, durante o primeiro semestre, em meio às dificuldades de Lula na avaliação popular, e foi incorporado à plataforma defendida pelo presidente para um eventual quarto mandato.
Calendário
Para que a proposta avance, o caminho ainda exige esforço político considerável. Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), são necessários ao menos 49 votos favoráveis em dois turnos no plenário do Senado. O texto já havia sido aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, mas não avançou para a votação dos senadores.
Lula tem declarado publicamente que pretende ver o fim da escala 6×1 aprovado ainda neste ano. O governo já havia tentado acelerar a votação antes do primeiro turno, sem sucesso. Agora, com o acordo sinalizado pela cúpula do Senado, a proposta que permanecia pendente na agenda presidencial pode finalmente chegar ao Plenário, com o calendário eleitoral funcionando como fator de pressão.