Devido à polarização do eleitorado, fica mais distante para a coordenação do PT a opção de uma vitória ainda no primeiro turno e, a pouco mais de uma semana para a eleição, o cenário aponta para uma disputa apertada na etapa final.
Por Redação – de São Paulo
O empate técnico nas pesquisas de opinião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também conhecido como ’01’, na corrida presidencial, a campanha petista busca garantir a neutralidade dos partidos do chamado ‘Centrão’ no caso de um segundo turno. Além de conversar com o PSD, principal legenda de centro-direita, os articuladores petistas também buscam um canal de negociação com o candidato do Avante, Augusto Cury, situado no terceiro lugar da disputa ao Palácio do Planalto.

Devido à polarização do eleitorado, fica mais distante para a coordenação do PT a opção de uma vitória ainda no primeiro turno e, a pouco mais de uma semana para a eleição, o cenário aponta para uma disputa apertada na etapa final. A maior parte dos votos da direita, distribuídos entre os candidatos desse campo, tende a migrar para ’01’, na análise de especialistas.
Ronaldo Caiado (PSD), que aparece na última pesquisa DataFolha com 4% das intenções de voto, simboliza o segmento do eleitorado que tende a apoiara a candidatura bolsonarista. Aliados de Lula consideram improvável um acordo com Caiado, embora acreditem ser possível negociar a neutralidade de seu partido, o PSD.
Rejeição
As conversas com o presidente da legenda, Gilberto Kassab, vice na chapa de Caiado, já teria se iniciado. Se a legenda adotar uma neutralidade nacional, seria mais fácil para Lula cultivar alianças com líderes locais pessedistas — parte dos quais apoia o candidato à reeleição já no primeiro turno.
Já o terceiro colocado nas pesquisas, Augusto Cury, embora tenha afirmado anteriormente que não pretende apoiar Lula ou Flávio Bolsonaro, disse nesta quarta-feira que as chances de ’01’ vencer as eleições são mínimas. O DataFolha atribui a Cury 6% das intenções de voto.
Augusto Cury disse que acredita em uma derrota de Flávio Bolsonaro, caso o senador enfrente o presidente Lula em um eventual segundo turno. As declarações ocorreram em sabatina promovida pela revista semanal de ultradireita ‘Veja’, nesta manhã. Cury rejeitou o movimento pelo chamado voto útil em ’01′ e afirmou que Lula teria vantagem caso enfrentasse o senador na etapa decisiva da eleição.
— O modelo de Lula da Silva está falido, o modelo de Flávio Bolsonaro também. Se o pai perdeu, o filho também vai perder e tudo o que o Lula quer é pegar Flávio Bolsonaro no segundo turno. Ele vai destruir Flávio — previu Cury.
Esperança
A declaração faz referência à derrota do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio, para Lula na eleição presidencial de 2022. A avaliação sobre um eventual confronto entre Lula e Flávio em 2026, porém, é uma projeção política feita pelo candidato do Avante.
Na entrevista, Cury saiu em defesa da própria candidatura como alternativa para a fase decisiva da eleição, apesar da distância abissal nas aferições junto à opinião pública. O candidato confirma que representantes dos dois campos políticos já buscaram seu apoio, mas reafirmou a posição de não aderir nem a Lula nem a ’01’, em um eventual segundo turno.
— Eu quero Lula no segundo turno porque nós vamos aposentá-lo. Não há possibilidade, de maneira clara, de apoiar nenhum e nem outro — afirmou.
Dark Horse
O candidato do Avante também direcionou críticas a Flávio Bolsonaro ao mencionar o financiamento do filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro e as informações relacionadas ao projeto ‘Dark Horse’.
— Ele não explicou nada dessa planilha do ‘Dark Horse’ — afirmou Cury.
As críticas aos dois principais adversários fazem parte da estratégia do escritor para tentar ocupar um espaço próprio na disputa e resistir à pressão pelo voto útil. Nos últimos dias, Flávio passou a receber ataques de outros candidatos após sua campanha intensificar o apelo para concentrar o eleitorado de direita em torno de seu nome ainda no primeiro turno.
A movimentação ocorre em um cenário no qual a transferência dos votos dos demais candidatos pode ter peso em uma eventual segunda etapa da disputa.