Rio de Janeiro, 29 de Abril de 2026

Alcolumbre e Messias reúnem-se, em segredo, para alinhar posições

Senador Davi Alcolumbre e Jorge Messias se reúnem em segredo para discutir apoio à indicação de Messias ao STF, com presença de ministros e senadores.

Terça, 28 de Abril de 2026 às 20:33, por: CdB

Estiveram presentes na reunião os ministros do STF Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes; além do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), amigo pessoal de Alcolumbre.

Por Redação – de Brasília

Presidente do Congresso, o senador Davi Alcolumbre e o advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF), reuniram-se em compromisso fora da agenda pública, na semana passada, para alinhar um posicionamento favorável ao preferido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Corte Suprema. Conforme apurou a mídia conservadora, o encontro foi mediado por amigos comuns.

Alcolumbre e Messias reúnem-se, em segredo, para alinhar posições | O advogado da União, Jorge Messias, tem um perfil negociador
O advogado da União, Jorge Messias, tem um perfil negociador

Estiveram presentes na reunião os ministros do STF Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes; além do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), amigo pessoal de Alcolumbre, que negou a existência do encontro e vinha se recusando a receber Messias para uma conversa.

O cenário para aprovação do candidato à vaga que já foi do ministro Luís Roberto Barroso, no entanto, ainda não está garantido. Segundo as contas do Palácio do Planalto, há até agora 43 senadores comprometidos com o voto favorável, o que é uma margem considerada apertada, posto serem necessários 41 votos em Plenário, para a aprovação.

 

Aborrecido

Ainda em novembro do ano passado, quando Messias recebeu a indicação de Lula para o cargo, o presidente do Senado manifestou sua contrariedade à decisão, uma vez que seu candidato, o senador Rodrigo Pacheco, fora preterido. Desde então, no entanto, o nome recebeu o endosso de outros senadores e ministros do STF.

Lula também entrou em campo e conversou com o presidente do Senado e com magistrados sobre a possibilidade de Pacheco ser candidato ao governo do Estado de Minas Gerais, um posto decisivo para a campanha petista à reeleição, em outubro deste ano, o que teria deixado Alcolumbre menos aborrecido.

No recente encontro com Messias, o presidente do Senado não teria se comprometido a fazer campanha ou liberar os votos de parlamentares aliados a seu favor, mas garantiu que Messias terá um ambiente tranquilo para a sabatina, marcada para esta quarta-feira e terá garantida a convocação da Casa para posterior votação de seu nome, em Plenário.

 

Banco Master

Mas Jorge Messias prepara-se para enfrentar um terreno difícil nos questionamentos dos senadores, em um momento em que o Parlamento e o STF vivem uma crise sem precedentes, com destaque para o caso Banco Master. O indicado pelo presidente Lula, porém, pretende sair em defesa dos padrões éticos para magistrados e evitar mencionar diretamente ministros da Corte durante a sessão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Messias, ainda de acordo com a apuração da mídia alinhada à direita, avalia que o ambiente da sabatina será dominado por questionamentos sobre o desgaste do STF, especialmente diante de investigações em curso contra o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e de supostas conexões com integrantes da Corte, entre eles o ministro Alexandre de Moraes.

Interlocutores têm dito que Messias está preparado para responder às críticas da oposição, que promete uma sabatina rigorosa. A estratégia, no entanto, será levar as discussões para o campo genérico, sem citar nomes como os dos ministros como Moraes e Dias Toffoli, que devem ser citados por senadores em questionamentos relacionados ao escândalo do Master.

 

Articulação

Para se certificar que Messias seja aprovado pela maioria dos senadores, o governo do presidente Lula tem intensificado as articulações e, nesse sentido, resolver fazer mudanças na CCJ da Casa, com a mobilização de senadores fiéis à base aliada; além de assegurar o quórum elevado na votação.

A estratégia inclui desde a substituições de parlamentares na comissão até o controle de ausências e ações políticas para evitar constrangimentos na sabatina. Ainda assim, aliados do governo reconhecem que a margem será bastante apertada e consideram essencial garantir a presença de um número elevado de senadores.

Para garantir presença, o senador Paulo Paim (PT-RS), por exemplo, decidiu adiar uma cirurgia considerada urgente para participar da votação. 

— Estarei no Plenário nem que seja de cadeira de rodas — garantiu.

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