Durante o Carnaval de 2025, uma mansão no Joá, no Rio de Janeiro, foi reservada para receber o ministro, identificado nas mensagens como “KN”.
Da Redação – de Brasília
Uma série de arquivos encaminhados pela Polícia Federal (PF) aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) indicam a existência de um contrato do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, com um escritório de advocacia, no valor de R$ 427 milhões, com a chamada “Turma do KN” e sua ligação com o ministro Kassio Nunes Marques.

Segundo relatório da PF, divulgado nesta terça-feira, a relação entre Vorcaro e Kassio Nunes Marques aparece em uma série de benefícios e pedidos registrados nas mensagens: hospedagem no Hotel Fasano; reserva de uma mansão durante o carnaval no Rio de Janeiro; e a ajuda na organização de uma viagem de 10 dias para cinco pessoas e deslocamento em jato particular.
Garota
Durante o Carnaval de 2025, uma mansão no Joá, no Rio de Janeiro, foi reservada para receber o ministro, identificado nas mensagens como “KN”. O imóvel, pertencente ao ator Márcio Garcia, foi alugado por R$ 1,45 milhão durante uma semana. Há, ainda, uma conversa cobrando R$ 10 mil de Vorcaro sobre um encontro sexual entre o ministro e uma ‘garota’ que “ficou com o Kassio”.
“A turma do KN” assim eram chamados o desembargador Newton Ramos, do TRF-1, e a mulher dele, a advogada Camilla Ramos, que, por meio do seu escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia, fechou o contrato para destravar o pagamento de R$ 8,5 bilhões em precatórios para Vorcaro. Os diálogos revelados mostram que o casal repassava a Vorcaro pedidos de Nunes, como hospedagem no hotel cinco estrelas, em Ipanema; além de atualizá-lo sobre o caso dos precatórios.
O julgamento de interesse de Vorcaro aconteceu na Segunda Turma do Supremo e balizaria todos os demais julgamentos a respeito desses precatórios de usinas de cana-de-açúcar. Na época, Nunes, Dias Toffoli e Edson Fachin votaram por reconhecer o débito, enquanto Gilmar Mendes e André Mendonça discordaram.
Negócios
André Mendonça, no entanto, usou em agosto de 2025 uma aeronave vinculada ao Grupo Cedro, do empresário mineiro Lucas Kallas, para participar de um seminário jurídico em Itabira (MG). A informação foi publicada nesta terça-feira pela colunista Daniela Lima, do portal de notícias UOL.
Kallas é apontado como ex-parceiro de negócios de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O Grupo Cedro também realizou um aporte de R$ 5,2 milhões no Instituto Iter, instituição fundada por André Mendonça e dirigida por ele até a eclosão do escândalo do Master.