Ação da Polícia Civil mira grupo que usaria o Buraco do Boi como refúgio durante operações no Complexo de Israel.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
A Polícia Civil prendeu três pessoas nesta quinta-feira durante a Operação Tridente, que mira a estrutura criminosa do Terceiro Comando Puro (TCP) na comunidade Buraco do Boi, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A ação busca cumprir mandados de prisão contra integrantes da facção.

A operação é conduzida por agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Baixada Fluminense (DRE-BF), com apoio de unidades do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), do Departamento-Geral de Polícia da Baixada (DGPB) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).
Segundo as investigações, criminosos ligados ao TCP, que atuam no Complexo de Israel, usariam o Buraco do Boi como área de refúgio durante operações policiais na região. O grupo também é investigado por envolvimento com o tráfico de drogas e roubos de veículos e cargas.
O trabalho de inteligência identificou integrantes da facção que atuariam na comunidade e apontou a presença de armas de alto poder de fogo em diferentes pontos do local.
Entre os alvos da operação estão lideranças e operadores do TCP.
Confronto
Policiais do 18º BPM (Jacarepaguá) apreenderam um fuzil calibre 7.62 durante um tiroteio entre bandidos na Taquara, Zona Sudoeste do Rio, na quarta-feira. A arma foi encontrada após o fim do confronto.
Segundo a PM, os agentes receberam informações sobre uma troca de tiros entre traficantes e milicianos na Avenida André Rocha, nas proximidades da Coca-Cola. Os envolvidos, que estavam em um carro branco e em uma motocicleta, seguiram em direção à Merck.
Durante o cerco, os agentes localizaram o veículo na Rua Miguel Salazar, perto da Cidade de Deus. Ainda de acordo com a corporação, os ocupantes atiraram nos policiais e houve tiroteio.
Em seguida, os suspeitos abandonaram o carro e conseguiram fugir. A equipe, então, encontrou o fuzil com a numeração raspada e um carregador. O material foi encaminhado à 32ª DP (Taquara), que investiga o caso.
Conhecida por mais de duas décadas como um forte reduto paramilitar, a Taquara viu a estabilidade do seu domínio ser quebrada por invasões armadas, rachas internos e uma ostensiva expansão do Comando Vermelho (CV). Historicamente, as milícias mantinham o controle de comunidades estratégicas, Teixeiras e Colônia Juliano Moreira, com cobrança de taxas de segurança e monopólio de serviços como gatonet e venda de gás.
A dinâmica de poder na região mudou radicalmente em meados de 2022, quando o Comando Vermelho iniciou uma ofensiva partindo da Cidade de Deus e de outros complexos para tomar os pontos de venda e territórios. A desestabilização da milícia se acelerou em 2023 devido a rachas internos, nos quais paramilitares trocaram de lado e se aliaram ao tráfico, fornecendo rotas de acesso e mapeamento tático do terreno aos invasores.
Os grupos milicianos remanescentes passaram a buscar alianças pontuais com o Terceiro Comando Puro (TCP) para tentar deter o avanço rival, transformando a Taquara em ponto de disputa.
Operação
Uma operação do Ministério Público do Rio (MPRJ) e da Secretaria Estadual de Fazenda fechou sete postos de combustíveis na quarta-feira, após a identificação de irregularidades em estabelecimentos do Rio Comprido, Irajá, Bangu e Santa Cruz, nas zonas Norte e Oeste. Um empresário foi preso em flagrante por suspeita de adulteração de combustível em um dos estabelecimentos, em Santa Cruz.
A ação fiscalizou documentos, equipamentos e produtos comercializados nos locais. Segundo os investigadores, todos os postos vistoriados apresentavam algum tipo de irregularidade, incluindo falta de alvarás, problemas nas bombas de abastecimento e indícios de adulteração de combustíveis.
Entre os estabelecimentos fiscalizados está um posto na Avenida Paulo de Frontin, no Rio Comprido, na Zona Norte. De acordo com os investigadores, o local funcionava com o CNPJ impedido.
Durante a vistoria, os agentes verificaram documentos, bombas de combustível e máquinas de cartão, além de ouvirem o responsável pelo estabelecimento. Uma quantia em dinheiro acabou apreendida, mas o valor ainda estava sendo contabilizado pelas equipes.
O MPRJ informou que a apuração indica a possível atuação de grupos organizados no setor de combustíveis. Segundo as autoridades, postos que operam de forma irregular podem ser utilizados em esquemas de lavagem de dinheiro, sonegação de impostos e fraudes fiscais.
Para ajudar os consumidores a identificar estabelecimentos regularizados, a Secretaria Estadual de Fazenda, em parceria com o Instituto Combustível Legal (ICL), disponibiliza um aplicativo que permite consultar a situação dos postos de combustíveis.