Rio de Janeiro, 27 de Agosto de 2026

PMs são detidos sob suspeita de abastecer milícia e TCP

Jorge Anastácio Rodrigues Simões foi preso no próprio batalhão, na Zona Norte; Leonardo Carlos dos Anjos Santos estava em Vargem Pequena.

Quinta, 27 de Agosto de 2026 às 12:10, por: CdB

Jorge Anastácio Rodrigues Simões foi preso no próprio batalhão, na Zona Norte; Leonardo Carlos dos Anjos Santos estava em Vargem Pequena.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

Dois policiais militares foram presos nesta quinta-feira suspeitos de fornecer e intermediar a venda de armas e munições para a milícia de Curicica e integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP).

Policiais são presos por suspeita de repassar armas a grupos criminosos

Jorge Anastácio Rodrigues Simões, lotado no 4º BPM (São Cristóvão), foi preso no próprio batalhão. Leonardo Carlos dos Anjos Santos, do 2º BPM (Botafogo), acabou detido em casa, em Vargem Pequena. Entre os armamentos citados na denúncia estão fuzis de calibres 5,56 mm, 7,62 mm e .223, além de pistolas e munições.

Ao todo, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Gaeco/MPRJ) denunciou 20 pessoas por envolvimento com grupos ligados à milícia de Curicica e ao TCP. As prisões desta quinta são realizadas pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), com apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar.

A denúncia foi recebida pela 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital. Segundo o MPRJ, os investigados são acusados de integrar uma milícia privada, participar do tráfico de drogas com uso de armas e atuar no comércio ilegal de armamentos e munições de uso restrito.

Os PMs são suspeitos de negociar armas para criminosos.

Segundo a investigação, os dois policiais tinham participação no fornecimento e na intermediação de armas e munições destinadas à milícia de Curicica e ao TCP. A apuração aponta ainda para a existência de uma rede de criminosos responsável pela compra e distribuição dos armamentos.

Entre os denunciados está Wallace de Oliveira Loredo, apontado como traficante e integrante da estrutura investigada. A denúncia também cita outros suspeitos ligados aos grupos criminosos.

A milícia de Curicica, segundo o MPRJ, teria uma estrutura organizada e funções divididas entre seus integrantes. André Costa Bastos, conhecido como Boto ou Redbull, que está preso em uma penitenciária federal, é apontado como responsável pelas decisões estratégicas. Osmar Silva de Souza, o Messi ou Novinho, é quem comanda as ações do grupo.

Milícia e TCP

As investigações apontam ainda uma parceria entre a milícia de Curicica e integrantes do TCP que atuam nos complexos da Maré e da Pedreira. Segundo a denúncia, os grupos teriam feito um acordo para evitar confrontos e colaborar contra facções rivais, principalmente o Comando Vermelho (CV).

A parceria também teria facilitado a compra e a venda de armas e drogas. Yuri Guimarães Soares, conhecido como Lirow, é apontado como um dos responsáveis pela ligação entre a milícia e integrantes da facção.

De acordo com o MPRJ, a milícia de Curicica também arrecadava dinheiro com cobranças de moradores e comerciantes e estaria envolvida em roubos de veículos e cargas em Jacarepaguá e áreas próximas.

A Justiça determinou a prisão preventiva dos denunciados. Na decisão, foram considerados fatores como a existência de uma estrutura armada, a gravidade dos crimes investigados e o risco de que os suspeitos voltassem a cometer delitos.

Suspeito morto

Um homem de 19 anos, identificado como Jeferson Ferreira da Silva, morreu na quarta-feira durante uma operação da Polícia Militar nas comunidades do Campinho e do Fubá, na Zona Norte do Rio. Segundo a corporação, ele participava da fuga de um grupo de suspeitos quando sofreu uma parada cardíaca em uma área de mata.

De acordo com o comando da operação, homens armados entraram em confronto com os policiais e correram em direção à mata. Jeferson teria ficado para trás e foi encontrado já desacordado pelos agentes. Ele chegou a receber socorro, mas não resistiu.

A ação terminou ainda com quatro suspeitos presos e um quinto baleado. O ferido foi encaminhado para o Hospital Estadual Carlos Chagas. A Polícia Militar não havia informado, até a divulgação do caso, o estado de saúde dele.

A operação foi realizada por equipes do 9º BPM, de Rocha Miranda, e do 18º BPM, de Jacarepaguá, com objetivo de combater a atuação de grupos criminosos na região.

Durante a ação, os policiais apreenderam uma pistola, uma granada, um rádio comunicador, seis carregadores de fuzil, um carregador de pistola e uma quantidade de drogas que ainda seria contabilizada.

Segundo a PM, a operação integra ações planejadas contra uma facção criminosa que atua em comunidades como Campinho, Fubá, Morro do 18 e Praça Seca, além de outras áreas de Jacarepaguá.

A operação provocou reflexos no trânsito e no transporte público da cidade. Segundo o Rio Ônibus, pelo menos 54 linhas tiveram a circulação afetada durante a manhã devido a ações atribuídas ao tráfico.

Em Cascadura, 18 ônibus foram sequestrados e usados como barricadas em vias como a Rua Clarimundo de Melo, a Avenida Ernani Cardoso e a Avenida Dom Hélder Câmara.

Um caminhão também foi utilizado para bloquear o trânsito. Por volta das 12h30, os ônibus já haviam sido liberados e as linhas começaram a retomar os trajetos.

Em Água Santa, três linhas também sofreram alterações. A Linha Amarela teve uma faixa interditada no sentido Barra da Tijuca, na altura do Túnel da Covanca, antes de ser completamente liberada.

Em nota, a Polícia Militar afirmou que veículos foram atravessados nas vias por ordem de criminosos com o objetivo de dificultar a atuação dos agentes.

Também foram registrados princípios de tumulto na Rua Clarimundo de Melo e na Linha Amarela, nas proximidades do Túnel da Covanca.

A corporação informou que reforçou o policiamento nas áreas afetadas e mobilizou equipes do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas e das Rondas Especiais e Controle de Multidão.

Segundo a PM, os bloqueios foram uma reação às operações realizadas contra grupos criminosos envolvidos em disputas territoriais na Zona Norte e em Jacarepaguá.

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