Rio de Janeiro, 30 de Junho de 2026

PMs são presos por vender armas apreendidas na Baixada

Militares se apropriaram de uma pistola calibre 9 mm, venderam por R$ 6 mil e dividiram o dinheiro entre si.

Terça, 30 de Junho de 2026 às 10:58, por: CdB

Militares se apropriaram de uma pistola calibre 9 mm, venderam por R$ 6 mil e dividiram o dinheiro entre si.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

Um cabo e dois sargentos da Polícia Militar foram presos, nesta terça-feira, durante mais uma fase da Operação Patrinus, conduzida pelo Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ). Um quarto alvo, também sargento, já estava detido. A ação contou com o apoio da Corregedoria-Geral da PM.


Policiais militares são presos por desvio de armas na Baixada

Ao todo, o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp/MPRJ) denunciou os quatro policiais pelos crimes de peculato e comércio ilegal de arma de fogo.

A denúncia diz que os militares se apropriaram de uma pistola calibre 9 mm, apreendida durante uma operação em 27 de julho de 2021, na comunidade da Caixa D’Água, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense.

Em vez de encaminhar a arma para os procedimentos legais, eles teriam vendido o armamento por R$ 6 mil e dividido o dinheiro entre si.

Segundo o MPRJ, a investigação reuniu provas por meio da análise do celular de um dos denunciados e da quebra do sigilo bancário dos envolvidos. Mensagens, fotografias, áudios e movimentações financeiras teriam comprovado a negociação da arma.

Esta é mais uma etapa da Operação Patrinus, que investiga desde 2024 um esquema de corrupção envolvendo agentes do 39º BPM (Belford Roxo).

A primeira fase aconteceu em maio de 2024, quando foram cumpridos mandados de prisão contra 13 policiais militares. Segundo o MPRJ, o grupo é suspeito de vender armas e drogas apreendidas em operações, cobrar propina de motoristas de transporte alternativo e mototaxistas e exigir pagamentos semanais de comerciantes em troca de suposta proteção.

Em julho do ano passado, uma nova fase da operação teve como alvo nove policiais militares suspeitos de atuar como seguranças privados durante o expediente. No mês seguinte, outros dez PMs foram alvo de mandados de prisão por suspeita de cobrar propina de comerciantes para prestar segurança armada.

Já em maio deste ano, o Gaesp denunciou 11 policiais militares e cumpriu mandado de prisão contra um cabo investigado por integrar o mesmo esquema.

Vila Vintém

A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta terça-feira, uma operação para desarticular o núcleo financeiro da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), investigado por movimentar aproximadamente R$ 500 mil por semana em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas na comunidade da Vila Vintém, na Zona Oeste da capital. Três suspeitos estão presos.

A ofensiva foi conduzida por agentes da 34ª DP (Bangu), com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), do Departamento-Geral de Polícia da Capital (DGPC) e do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE). Os policiais cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão nos bairros de Bangu e Realengo, onde estariam concentrados integrantes da estrutura financeira da organização criminosa.

Segundo a investigação, o grupo usava ferramentas do sistema financeiro formal para ocultar a origem ilícita do dinheiro da venda de drogas, criando um fluxo de recursos destinado a abastecer o caixa da facção.

PIX

As investigações apontam que os criminosos recorriam a transferências via PIX e a pagamentos feitos por meio de máquinas de cartão de crédito e débito para receber os valores do tráfico.

De acordo com a Polícia Civil, o dinheiro era inicialmente transferido para contas bancárias registradas em nome de terceiros, conhecidos como “laranjas”. Em seguida, os cartões dessas contas eram entregues a outros integrantes da organização, encarregados de sacar o dinheiro.

Após essa etapa, os valores retornavam à facção sem uma ligação aparente com a atividade criminosa, dificultando o rastreamento das movimentações financeiras pelos órgãos de investigação.

Para os investigadores, a estratégia permitia mascarar a origem do dinheiro e manter em funcionamento a estrutura financeira da organização criminosa.

Durante as apurações, a Polícia Civil identificou 14 pessoas diretamente envolvidas no esquema de lavagem de dinheiro.

Segundo os investigadores, cada um dos integrantes movimentava, em média, cerca de R$ 5 mil por dia, o que resultava em uma circulação semanal estimada em aproximadamente R$ 500 mil.

A polícia apura há quanto tempo o grupo operava nesse modelo e se existem outras pessoas ou empresas envolvidas na movimentação dos recursos ilícitos.

As investigações também buscam identificar possíveis ramificações do esquema em outras comunidades controladas pela facção.

Justiça

Além dos mandados de prisão e de busca e apreensão, a Justiça autorizou o bloqueio das contas bancárias utilizadas pelos investigados.

A medida tem como objetivo interromper o fluxo financeiro da organização criminosa, impedir novas movimentações de recursos e dificultar a continuidade das atividades ilícitas.

Segundo a Polícia Civil, o enfraquecimento da estrutura financeira é considerado estratégico para reduzir a capacidade operacional da facção, já que os recursos provenientes do tráfico costumam ser utilizados para a compra de armas, munições, drogas e para a manutenção da logística da organização criminosa.

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