Segundo a corporação, grupo planejava avançar sobre áreas controladas pelo TCP após recentes operações no Complexo de Israel.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
A Polícia Militar deflagrou, nesta quarta-feira, uma operação em comunidades da Zona Norte do Rio e em Duque de Caxias, para impedir uma possível tentativa de avanço do Comando Vermelho (CV) sobre áreas dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP). A ação acontece nas comunidades do Quitungo, Guaporé, Furquim, Dique e Ficap, além do Parque das Missões, na Baixada Fluminense.

Segundo a PM, informações de inteligência indicaram que integrantes do CV estariam se reunindo para planejar a expansão para Vigário Geral, Parada de Lucas, Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica-Pau, comunidades do Complexo de Israel que foram alvo de três operações policiais nos últimos dias.
A operação desta quarta reuniu cerca de 200 policiais militares, seis veículos blindados, 40 viaturas e aeronaves do Grupamento Aeromóvel. Uma ambulância da corporação também foi enviada para a região.
A PM afirma que a ação busca impedir a movimentação de criminosos e evitar novos confrontos pela disputa de território. As cinco comunidades que seriam alvo da tentativa de avanço são apontadas como áreas de influência do TCP.
A ofensiva ocorre após uma sequência de operações da PM no Complexo de Israel. Desde a última sexta, policiais atuam na região, com prisões, apreensão de armas e retirada de barricadas. Na segunda-feira, traficantes incendiaram quatro caminhões na Avenida Brasil em uma possível represália à ação policial.
De acordo com a corporação, a operação desta quarta tem caráter preventivo e busca evitar uma nova disputa entre as duas facções na região.
Outras ações
A Polícia Militar faz outras operações em diferentes pontos da cidade. Agentes do do 18º BPM (Jacarepaguá) estão, na manhã desta quarta-feira, na comunidade da Barão, na Praça Seca. Enquanto isso, o 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes) atua na Comunidade do César Maia, Zona Sudoeste do Rio.
Na comunidade do Juramento, Zona Norte, o 41º BPM faz uma operação para retirar barricadas na região.
Até o momento, não há prisões ou apreensões.
A Secretaria Municipal de Educação informou que, em Quitungo e Guaporé, três unidades escolares foram impactadas pelas operações policiais. Já em Furquim Mendes, Dique e Ficap, três escolas estão fechadas.
Até o momento, três unidades de Atenção Primária que atendem a região das comunidades mantêm o atendimento, porém as atividades externas realizadas no território, como as visitas domiciliares, estão suspensas, conforme informou a Secretaria Municipal de Saúde.
Facções
Uma disputa entre traficantes de facções rivais pelo domínio de comunidades em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, deixou 11 mortos desde o início de agosto. A escalada da violência levou a Polícia Militar a reforçar o patrulhamento na região e afetou a rotina de moradores.
Segundo as investigações, a primeira morte relacionada à sequência de ataques ocorreu em 8 de agosto, na comunidade do Pantanal. A maioria das vítimas seria formada por homens ligados ao tráfico de drogas. Ao todo, dez pessoas teriam sido mortas em ataques promovidos por rivais e uma teria sido executada internamente.
A violência também atingiu moradores que não teriam envolvimento com as organizações criminosas. Em 17 de agosto, um homem foi baleado na cabeça enquanto retornava da igreja com o filho. Em julho, uma idosa também foi atingida nas costas, na Vila Leopoldina, área próxima aos locais de conflito.
Um dos episódios mais recentes ocorreu no último domingo, quando testemunhas relataram o lançamento de granadas por um drone na comunidade do Corte Oito. Segundo os relatos, a ação teria sido uma represália aos homicídios registrados no Pantanal, área apontada como controlada pelo Terceiro Comando Puro.
O Corte Oito seria controlado por Jonatha Hyrval Cassiano da Silva, conhecido como Bochecha Rosa. O traficante, que está foragido e é investigado por crimes como homicídio, roubo, associação para o tráfico e organização criminosa, já foi filmado portando uma arma descrita como uma “bazuca anti-drone” no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio.
A sequência de ataques provocou impactos diretos na população. De acordo com a Prefeitura de Duque de Caxias, quatro escolas públicas foram afetadas pelos confrontos ou por operações de segurança. Uma creche precisou acionar o protocolo de segurança em três dias diferentes, enquanto pelo menos duas escolas tiveram de adotar medidas semelhantes em dois dias cada.
A unidade de saúde do Pantanal também teve as atividades prejudicadas. O local precisou fechar as portas em 18 de agosto e suspendeu atendimentos externos em outros três dias dentro de um período de uma semana.
A Polícia Militar informou que o 15º BPM, responsável pelo policiamento em Duque de Caxias, mantém equipes a pé, viaturas e motopatrulhas em circulação. Segundo a corporação, o patrulhamento é atualizado de acordo com a movimentação das áreas consideradas mais críticas.
A PM afirmou ainda que as operações são planejadas com base em critérios técnicos, estratégicos e de inteligência, levando em consideração indicadores criminais, análises de risco, demandas operacionais e a necessidade de preservação da ordem pública.
Os casos são investigados pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense. A Polícia Civil informou que os agentes analisam diferentes linhas de investigação, realizam diligências, examinam imagens e levantam informações para esclarecer a dinâmica dos crimes e identificar os responsáveis.
A corporação também informou que a Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Baixada Fluminense e outras unidades da região realizam ações diárias de inteligência, prisões e operações contra o tráfico de drogas e a atuação de facções criminosas.