Grupo investigado por explorar linha entre Cabo Frio e Rio intimidava e assassinava concorrentes para manter monopólio ilegal.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE) fez, nesta sexta-feira, uma operação contra uma milícia que explora o transporte clandestino de passageiros entre Cabo Frio, na Região dos Lagos, e a capital fluminense. De acordo com as investigações, o grupo é liderado por um policial militar da ativa.

A ação teve apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar e cumpriu mandados de busca e apreensão nos municípios investigados. O filho do policial foi preso em flagrante, em Nova Iguaçu, com 4 kg de maconha em casa.
Segundo a Polícia Civil, os milicianos intimidavam, ameaçavam e assassinavam motoristas de vans para controlar pontos de embarque e manter o monopólio do transporte irregular. Quem dirigia para a quadrilha, era obrigado a pagar para atuar nas rotas, enquanto concorrentes e fiscais sofriam represálias.
As investigações começaram após troca de informações entre a Draco e o Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro-RJ). O trabalho de inteligência identificou uma estrutura que, há anos, explorava ilegalmente o transporte de passageiros entre a Região dos Lagos e a cidade do Rio.
De acordo com a instituição, o grupo atuava como uma empresa, com divisão de funções entre administradores, responsáveis pelos pontos de embarque, motoristas e os “papagaios”, que chamavam passageiros.
A especializada detalhou ainda que o esquema está relacionado a outros crimes do bando, como extorsão, ameaças contra concorrentes e agentes de fiscalização, dano e até homicídios por disputas de pontos de embarque.
Durante a operação, os agentes apreenderam celulares, computadores, armas e documentos para ajudar a aprofundar as investigações e identificar outros integrantes da organização criminosa.
Operação
A Polícia Civil fez, nesta sexta-feira, uma operação no Complexo do Muquiço, em Guadalupe, Zona Norte da capital, para cumprir mandados de prisão contra os suspeitos de envolvimento na morte do inspetor Carlos Alberto Freire Neto. O policial foi assassinado em uma emboscada no último dia 8 de julho.
Durante a ação, um dos investigados foi baleado em confronto com os agentes. Segundo a corporação, Paulo Roberto Barreto da Silva, conhecido pelos apelidos PL e Arcanjo, seguiu sob custódia para o Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes.
Com o suspeito, os policiais apreenderam uma pistola com dois carregadores, além de drogas e um radiotransmissor. De acordo com a Polícia Civil, ele possui extensa ficha criminal.
A operação mobilizou equipes da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), onde Carlos Alberto era lotado, e da 96ª DP (Miguel Pereira). Na última segunda-feira, agentes já haviam realizado uma incursão na comunidade para levantar informações sobre os envolvidos no crime. Na ocasião, houve troca de tiros e dois homens sem relação com o crime foram presos.
O caso
Na manhã de 8 de julho, quatro policiais da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense seguiam em um carro descaracterizado para uma ação de reconhecimento no Complexo do Muquiço, quando foram surpreendidos por criminosos armados.
Segundo a investigação, traficantes abriram fogo contra o veículo, atingindo dois agentes. Atingido na cabeça, o inspetor Carlos Alberto Freire Neto chegou a ser socorrido para o Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, mas não resistiu aos ferimentos.
A comissária Juliele Brandt, ferida na perna, recebeu atendimento médico e já teve alta.
Após a emboscada, a Polícia Civil realizou uma grande operação na comunidade, que resultou na prisão de quatro suspeitos. A ação também provocou a suspensão das aulas em escolas e do atendimento em unidades de saúde da região por questões de segurança.