Prefeitura de Nova Iguaçu aponta reparos improvisados em tubulações e afirma que problemas podem aumentar o risco de alagamentos no município.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
A ampliação da Via Dutra, que envolve investimentos estimados em R$ 14 bilhões, entrou no radar das autoridades de Nova Iguaçu após técnicos da prefeitura identificarem danos em tubulações da rede municipal de drenagem. Segundo o município, alguns trechos foram recompostos com os chamados “bacalhaus”, termo utilizado no setor de construção para designar reparos improvisados.

Os problemas foram encontrados no bairro Rancho Novo, na região entre a Rua Luís Sobral e a Avenida Nilo Peçanha. A prefeitura acionou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), responsável pelo licenciamento ambiental do trecho da rodovia.
As informações foram divulgadas pelo jornalista Ancelmo Gois em sua coluna no jornal O Globo. O caso amplia um impasse entre o município e as intervenções previstas para a principal ligação rodoviária entre o Rio de Janeiro e São Paulo.
Alerta
Segundo a Prefeitura de Nova Iguaçu, as obras não podem se concentrar apenas na ampliação das pistas da Dutra. O município sustenta que a implantação de novas estruturas precisa ser acompanhada de soluções adequadas para a passagem da água.
A preocupação é que a rodovia funcione como uma barreira para o escoamento da água da chuva caso canais, galerias e demais estruturas de drenagem não sejam dimensionados e executados corretamente. Em períodos de chuva intensa, o problema poderia contribuir para o agravamento de alagamentos em diferentes pontos da cidade.
O alerta, segundo a prefeitura, é feito desde 2024, quando começaram as discussões sobre os impactos das intervenções na infraestrutura de drenagem existente.
Concessionária descumpriu prazo para estudos.
A concessionária Ecovias Rio Minas tinha um prazo de 90 dias, pactuado com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), para apresentar estudos relacionados à drenagem. De acordo com a prefeitura, o prazo terminou sem que as medidas esperadas fossem concluídas.
O município afirma que, apesar da pendência, as intervenções avançaram para a etapa de pavimentação. A administração municipal considera que a continuidade dos trabalhos sem a solução dos problemas de drenagem pode trazer consequências para a população de Nova Iguaçu.
Diante do impasse, a prefeitura recorreu à Justiça para solicitar a paralisação das obras. O Ibama também foi acionado para avaliar a situação dentro de suas atribuições relacionadas ao licenciamento ambiental.
Ministério Público acompanha o caso.
Além da prefeitura, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro acompanha as discussões envolvendo as obras da Via Dutra e os impactos apontados pelo município.
A ampliação da rodovia representa um dos maiores investimentos recentes em infraestrutura viária na região. O valor previsto, de R$ 14 bilhões, corresponde a quase sete vezes o orçamento anual de Nova Iguaçu, segundo os dados apresentados pela administração municipal.
O principal ponto de preocupação agora é garantir que a modernização da rodovia seja acompanhada por medidas capazes de preservar o funcionamento da rede de drenagem e evitar que as intervenções contribuam para novos episódios de alagamento.