Rio de Janeiro, 13 de Julho de 2026

Tiroteios recuam no Grande Rio, operações policiais lideram disparos

Apesar da redução nos casos, as ações e operações policiais permanecem como a principal causa dos episódios, respondendo por 36% dos registros do mês.

Segunda, 13 de Julho de 2026 às 12:40, por: CdB

Apesar da redução nos casos, as ações e operações policiais permanecem como a principal causa dos episódios, respondendo por 36% dos registros do mês.

Por Redação – do Rio de Janeiro

A violência armada permanece em queda na região metropolitana do Rio de Janeiro em junho. Ao menos 130 tiroteios ocorreram ao longo do mês, uma redução de 43% em comparação com os 228 tiroteios registrados em junho de 2025.

Grande Rio reduz tiroteios; ações policiais mantêm alta participação nos disparos

Apesar da redução nos casos, as ações e operações policiais permanecem como a principal causa dos episódios, respondendo por 36% dos registros do mês, com 47 ocorrências. Em média, a cada três eventos registrados no período, um esteve associado a alguma ação policial. 

Entre as vítimas está Paulo Márcio do Nascimento, de 41 anos. Passageiro de um ônibus que passava pela Rua São Clemente, ele foi baleado na perna durante uma operação policial no Morro Santa Marta, em Botafogo.

– Quando analisamos junho, vemos um avanço real na redução dos tiroteios, mas uma permanência preocupante: as ações policiais continuam no topo das causas desses episódios. Isso revela que o modelo operacional em uso ainda produz violência onde deveria produzir segurança. O poder público precisa ter coragem de avaliar criticamente suas próprias estratégias, adotar métricas que incluam a proteção de civis e construir uma política de segurança orientada por resultados para a população, não apenas para os índices – avalia Carlos Nhanga, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio de Janeiro.

Ao todo, 98 pessoas foram atingidas em junho, sendo 59 mortos e 39 feridos. O número de vítimas representa uma queda de 32% em comparação com as 144 pessoas atingidas no mesmo período de 2025, das quais 69 morreram e 75 ficaram feridas.

Além das 30 pessoas baleadas durante ações policiais no mês, outras 11 foram atingidas em assaltos ou tentativas de assalto. Houve ainda quatro vítimas de balas perdidas.

Municípios

Com 91 tiroteios mapeados no mês, a capital fluminense concentrou 70% dos registros ocorridos na região metropolitana. Entre os municípios que compõem a região metropolitana do Rio de Janeiro, os mais afetados pela violência armada foram:

Rio de Janeiro: 91 tiroteios, 33 mortos e 19 feridos

Duque de Caxias: nove tiroteios, seis mortos e seis feridos

Nova Iguaçu: cinco tiroteios, três mortos e um ferido

São Gonçalo: cinco tiroteios, dois mortos e dois feridos

Belford Roxo: quatro tiroteios, três mortos e seis feridos

Bairros

Os bairros mais afetados pela violência armada foram:

Anil (Rio de Janeiro): três tiroteios e dois mortos

Realengo (Rio de Janeiro): três tiroteios, um morto e um ferido

Santa Cruz (Rio de Janeiro): três tiroteios, um morto e um ferido

Vila Isabel (Rio de Janeiro): três tiroteios e um ferido

Botafogo (Rio de Janeiro): três tiroteios e um ferido

Brás de Pina (Rio de Janeiro): três tiroteios e um ferido

Fogo Cruzado

O Fogo Cruzado é um Instituto que utiliza tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida. 

Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 50 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife, de Salvador e de Belém.

Edições digital e impressa