Rio de Janeiro, 12 de Fevereiro de 2026

Manguebeat embala desfile da Grande Rio na Sapucaí

Descubra como o ritmo pernambucano do Manguebeat se une à Grande Rio em um desfile que celebra a transformação social e a cultura das periferias.

Quinta, 12 de Fevereiro de 2026 às 11:24, por: CdB

Para o carnavalesco Antônio Gonzaga, o ritmo pernambucano e a escola da Baixada Fluminense têm confluências e, entre elas, a transformação social de suas regiões.

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro

A lama do manguezal do Rio Capiberibe, no Recife, vai se juntar à do Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, no desfile da Grande Rio sobre o movimento Manguebeat.

Manguebeat embala desfile da Grande Rio na Sapucaí | Movimento e escola de samba têm confluências, defende carnavalesco
Movimento e escola de samba têm confluências, defende carnavalesco

Para o carnavalesco Antônio Gonzaga, responsável pelo enredo A Nação do Mangue, o ritmo pernambucano e a escola da Baixada Fluminense têm confluências e, entre elas, a transformação social de suas regiões.

– Tem a ver com o modo da escola de fazer carnaval, com o estilo estético e com o discurso da escola – disse em entrevista à Agência Brasil.

Nos anos 1990, a biodiversidade do manguezal serviu de inspiração para músicos de Recife que fundiram guitarras do heavy metal e do reggae com tambores do maracatu, do coco e da ciranda ─ entre outras misturas e combinações peculiares, experimentadas pelas bandas Mundo Livre S/A, Chico Science & Nação Zumbi.

Esses músicos criaram o movimento Manguebeat e mudaram a cena cultural de sua cidade a partir da lama dos manguezais, usada como como metáfora da resistência e criatividade que existe nas periferias da capital pernambucana e também longe do eixo Rio-São Paulo.

“O que fazer para não afundar na depressão crônica que paralisa os cidadãos?  Como devolver o ânimo, deslobotomizar e recarregar as baterias da cidade? Simples! Basta injetar um pouco de energia na lama e estimular o que ainda resta de fertilidade nas veias do Recife”, recomendava o manifesto “Caranguejos com cérebro” (1992), escrito pelo jornalista Fred Zero Quatro, vocalista da Mundo Livre S/A.

Mais jovem que a Grande Rio e que o Manguebeat, o carnavalesco, nascido em 1994, conta que a inspiração para o enredo veio de uma conversa com o pai, o jornalista e escritor Renato Lemos, autor do livro Inventores do Carnaval (editora Verso Brasil), e fã de Chico Science & Nação Zumbi e do Mundo Livre S/A.

– Eu sempre gostei de Nação Zumbi. Meu pai [que também assina a sinopse do enredo] escutava em casa, e eu criança escutava por tabela e curtia muito e entendia que seria importante o Manguebeat ser enredo em qualquer momento. Acho estranho que isso não tenha acontecido ainda – disse ao participar do programa Sem Censura, da TV Brasil.

As semelhanças geográficas e sociais entre Duque de Caxias e a região onde nasceu o movimento cultural se somaram a essa afeição.

– Pesquisando, achei essa conexão de a região da escola, Caxias, ser uma cidade cercada por manguezais. Então, fazer esse paralelo com os movimentos de periferia da baixada fluminense acho que foi o pulo do gato para fazer esse enredo dar certo.

Segundo Gonzaga, a capital de Pernambuco estará representada nas fantasias e nas alegorias ─ serão seis setores, com cinco carros alegóricos e três tripés. Bem trajadas, várias personalidades recifenses cairão no samba em um carnaval colorido para disputar o bicampeonato, promete o carnavalesco.

Ritmos do Recife

O mestre de bateria Fabrício Machado de Lima, o Mestre Fafá, de 34 anos, garante que os 270 ritmistas da escola estão prontos para sustentar o desfile tocando seus surdos de primeira, segunda e terceira, caixas, repiques, agogôs, chocalhos e tamborins.

Segundo Fafá, o arranjo será inspirado nas inovações do Manguebeat e fará referências ao frevo e ao maracatu, além de seguir “as viagens” musicais e rítmicas de Chico Science.

– Pode esperar muita alegria, muita bossa inspirada no trabalho de Chico [Science], um cara que misturava muitos ritmos – disse Fafá também no programa Sem Censura, da TV Brasil.

Além da percussão, as referências estarão também na fantasia da ala que é o coração do carnaval.

– A nossa fantasia [da bateria] representa o bloco afro Lamento Negro [bairro popular de Olinda na divisa com Recife], que é um dos blocos que o Chico [Science] ajudou a fundar.

O som da bateria promete reforçar a identificação cultural entre quem vive nos mangues de Recife e nas margens sociais da baixada fluminense, como faz a letra do samba enredo:

– Eu também sou caranguejo à beira do igarapé / Gabiru trabalha cedo, cata o lixo da maré.

A letra é assinada por Ailson Picanço, Marquinho Paloma, Davison Wendel, Xande Pieroni, Marcelo Moraes e Guga Martins.

A Grande Rio é a penúltima escola a desfilar na terça-feira, último dia de desfile do grupo especial do carnaval do Rio de Janeiro.

Conheça os enredos e a ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro:

1º dia – domingo (15/2)

Acadêmicos de Niterói – Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil;

Imperatriz Leopoldinense – Camaleônico;

Portela – O Mistério do Príncipe do Bará;

Estação Primeira de Mangueira – Mestre Sacacá do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra

2º dia – segunda-feira (16/2)

Mocidade Independente de Padre Miguel – Rita Lee, a Padroeira da Liberdade;

Beija‑Flor de Nilópolis – Bembé do Mercado;

Unidos do Viradouro – Pra Cima, Ciça;

Unidos da Tijuca – Carolina Maria de Jesus.

3º dia – terça-feira (17/2)

Paraíso do Tuiuti  – Lonã Ifá Lukumi;

Unidos de Vila Isabel – Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África;

Acadêmicos do Grande Rio – A Nação do Mangue;

Acadêmicos do Salgueiro – A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau.

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