Entre as vítimas, quatro eram agentes de segurança, revela relatório do Instituto Fogo Cruzado.
Por Redação – do Rio de Janeiro
A violência armada durante assaltos e tentativas de roubo segue em patamares preocupantes na região metropolitana do Rio de Janeiro. Os dados do relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado mostram que, somente em dezembro de 2025, 22 pessoas foram baleadas em situações desse tipo. Os dados revelam uma média de cinco pessoas baleadas por semana durante tentativas de roubo, evidenciando a persistência do problema e a necessidade urgente de medidas efetivas de segurança pública.

– A recorrência desses episódios acende um alerta sobre a escalada da violência nas abordagens criminosas e reforça a demanda por políticas integradas de prevenção e combate à criminalidade, além de investimentos em inteligência policial e proteção à população – analisa Carlos Nhanga, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio de Janeiro.
Violência contra agentes de segurança
Ao menos 10 agentes de segurança foram baleados na região metropolitana do Rio em dezembro de 2025, dos quais três morreram e sete ficaram feridos. Entre as vítimas, quatro agentes de segurança foram baleados durante assaltos, como o policial militar identificado como 3º Sargento Belck Viana Thomaz, que foi morto a tiros durante uma tentativa de assalto, no dia 24 de dezembro, nas proximidades do Buraco do Padre, entre a Rua Vinte e Quatro de Maio e a Rua Arquias Cordeiro, no Engenho Novo. O policial estava em uma motocicleta, quando foi abordado. Ele teria reagido ao assalto.
– A sensação de insegurança é diária e afeta a rotina dos moradores do Grande Rio que hoje vivem sob uma realidade de violência, medo e traumas, incluindo os agentes de segurança que são vitimados mesmo fora de serviço. O Estado precisa estar atento para que os problemas sociais, econômicos e de segurança pública parem, de uma vez por todas, de gerar tragédias como essas que já viraram rotina no Rio de Janeiro. Dados como os do Fogo Cruzado são fundamentais para a população ter real dimensão do problema que a afeta e pressione o poder público em busca de soluções eficazes – avalia Carlos Nhanga.
Dados detalhados
O mês em dados
Em dezembro, foram registrados pelo menos 136 tiroteios-disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio de Janeiro, uma média de 34 por semana. As ações e operações policiais foram responsáveis por 38% dos confrontos, totalizando 52 registros. Uma queda de 31% em comparação a dezembro de 2024, quando foram mapeados 197 tiroteios — 22% deles (44) ocorreram nessas circunstâncias.
Ao todo, 96 pessoas foram baleadas no mês: 47 morreram e 49 ficaram feridas. O número de mortos reduziu 41%, e o de feridos teve queda de 17% em comparação com dezembro de 2024, quando 139 pessoas foram baleadas, das quais 80 morreram e 59 ficaram feridas.
Entre os baleados de dezembro, 51% (49 vítimas) foram atingidas durante ações e operações policiais: 17 morreram e 32 ficaram feridas. Em dezembro de 2024, entre as 139 pessoas baleadas, 27% (38) foram atingidas durante ações e operações policiais: 15 morreram e 23 ficaram feridas.
Locais afetados
Municípios
Entre os municípios que compõem a região metropolitana do Rio de Janeiro, os mais afetados pela violência armada foram:
Rio de Janeiro: 87 tiroteios, 33 mortos e 35 feridos
São Gonçalo: 12 tiroteios, dois mortos e cinco feridos
Niterói: nove tiroteios, dois mortos e um ferido
Duque de Caxias: oito tiroteios, dois mortos e três feridos
Belford Roxo: oito tiroteios, um morto e três feridos
Bairros
Os bairros mais afetados pela violência armada foram:
Vicente de Carvalho (Rio de Janeiro): sete tiroteios, quatro mortos e nove feridos
Cascadura (Rio de Janeiro): sete tiroteios
Morro do Estado (Niterói): seis tiroteios e um ferido
Maré (Rio de Janeiro): seis tiroteios
Bom Pastor (Belford Roxo): cinco tiroteios e dois feridos
Campo Grande (Rio de Janeiro): cinco tiroteios, um morto e dois feridos
Sobre o Fogo Cruzado
O Fogo Cruzado é um Instituto que utiliza tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida.
Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 50 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife, de Salvador e de Belém.
Por meio de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado obtém e disponibiliza informações sobre tiroteios, verificados em tempo real, sendo o único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto ou dos relatórios produzidos mensalmente.