Rio de Janeiro, 15 de Janeiro de 2026

Assaltos deixam cinco baleados por semana no Grande Rio em dezembro

Em dezembro de 2025, 22 pessoas foram baleadas em assaltos no Grande Rio, com destaque para quatro agentes de segurança entre as vítimas. A violência armada permanece alarmante.

Quinta, 15 de Janeiro de 2026 às 10:50, por: CdB

Entre as vítimas, quatro eram agentes de segurança, revela relatório do Instituto Fogo Cruzado.

Por Redação – do Rio de Janeiro

A violência armada durante assaltos e tentativas de roubo segue em patamares preocupantes na região metropolitana do Rio de Janeiro. Os dados do relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado mostram que, somente em dezembro de 2025, 22 pessoas foram baleadas em situações desse tipo. Os dados revelam uma média de cinco pessoas baleadas por semana durante tentativas de roubo, evidenciando a persistência do problema e a necessidade urgente de medidas efetivas de segurança pública.

Assaltos deixam cinco baleados por semana no Grande Rio em dezembro | Dezembro tem média de cinco baleados por semana em assaltos no Grande Rio
Dezembro tem média de cinco baleados por semana em assaltos no Grande Rio

– A recorrência desses episódios acende um alerta sobre a escalada da violência nas abordagens criminosas e reforça a demanda por políticas integradas de prevenção e combate à criminalidade, além de investimentos em inteligência policial e proteção à população –  analisa Carlos Nhanga, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio de Janeiro.

Violência contra agentes de segurança

Ao menos 10 agentes de segurança foram baleados na região metropolitana do Rio em dezembro de 2025, dos quais três morreram e sete ficaram feridos. Entre as vítimas, quatro agentes de segurança foram baleados durante assaltos, como o policial militar identificado como 3º Sargento Belck Viana Thomaz, que foi morto a tiros durante uma tentativa de assalto, no dia 24 de dezembro, nas proximidades do Buraco do Padre, entre a Rua Vinte e Quatro de Maio e a Rua Arquias Cordeiro, no Engenho Novo. O policial estava em uma motocicleta, quando foi abordado. Ele teria reagido ao assalto.

– A sensação de insegurança é diária e afeta a rotina dos moradores do Grande Rio que hoje vivem sob uma realidade de violência, medo e traumas, incluindo os agentes de segurança que são vitimados mesmo fora de serviço. O Estado precisa estar atento para que os problemas sociais, econômicos e de segurança pública parem, de uma vez por todas, de gerar tragédias como essas que já viraram rotina no Rio de Janeiro. Dados como os do Fogo Cruzado são fundamentais para a população ter real dimensão do problema que a afeta e pressione o poder público em busca de soluções eficazes – avalia Carlos Nhanga.

Dados detalhados

O mês em dados

Em dezembro, foram registrados pelo menos 136 tiroteios-disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio de Janeiro, uma média de 34 por semana. As ações e operações policiais foram responsáveis por 38% dos confrontos, totalizando 52 registros. Uma queda de 31% em comparação a dezembro de 2024, quando foram mapeados 197 tiroteios — 22% deles (44) ocorreram nessas circunstâncias.

Ao todo, 96 pessoas foram baleadas no mês: 47 morreram e 49 ficaram feridas. O número de mortos reduziu 41%, e o de feridos teve queda de 17% em comparação com dezembro de 2024, quando 139 pessoas foram baleadas, das quais 80 morreram e 59 ficaram feridas.

Entre os baleados de dezembro, 51% (49 vítimas) foram atingidas durante ações e operações policiais: 17 morreram e 32 ficaram feridas. Em dezembro de 2024, entre as 139 pessoas baleadas, 27% (38) foram atingidas durante ações e operações policiais: 15 morreram e 23 ficaram feridas.

Locais afetados

Municípios

Entre os municípios que compõem a região metropolitana do Rio de Janeiro, os mais afetados pela violência armada foram:

Rio de Janeiro: 87 tiroteios, 33 mortos e 35 feridos

São Gonçalo: 12 tiroteios, dois mortos e cinco feridos

Niterói: nove tiroteios, dois mortos e um ferido

Duque de Caxias: oito tiroteios, dois mortos e três feridos

Belford Roxo: oito tiroteios, um morto e três feridos

Bairros

Os bairros mais afetados pela violência armada foram:

Vicente de Carvalho (Rio de Janeiro): sete tiroteios, quatro mortos e nove feridos

Cascadura (Rio de Janeiro): sete tiroteios

Morro do Estado (Niterói): seis tiroteios e um ferido

Maré (Rio de Janeiro): seis tiroteios

Bom Pastor (Belford Roxo): cinco tiroteios e dois feridos

Campo Grande (Rio de Janeiro): cinco tiroteios, um morto e dois feridos

Sobre o Fogo Cruzado

O Fogo Cruzado é um Instituto que utiliza tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida. 

Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 50 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife, de Salvador e de Belém.

Por meio de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado obtém e disponibiliza informações sobre tiroteios, verificados em tempo real, sendo o único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto ou dos relatórios produzidos mensalmente.

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