Rio de Janeiro, 08 de Fevereiro de 2026

Suvaco do Cristo faz último desfile após 40 anos

Após 40 anos de história, o bloco Suvaco do Cristo faz seu último desfile no Rio de Janeiro, celebrando legado e irreverência do carnaval de rua.

Domingo, 08 de Fevereiro de 2026 às 12:17, por: CdB

Bloco que marcou a retomada do carnaval de rua encerra trajetória histórica neste domingo, com homenagens e celebração do legado.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

Após quatro décadas de desfiles, o Suvaco do Cristo se despediu das ruas do Rio neste domingo. O bloco, símbolo da irreverência e da retomada do carnaval de rua fora do Centro a partir dos anos 1990, fez seu cortejo final no Jardim Botânico, bairro onde construiu sua história.

Suvaco do Cristo faz último desfile após 40 anos | Imagem do último desfile do Suvaco, em 2025, e do primeiro, em 1986
Imagem do último desfile do Suvaco, em 2025, e do primeiro, em 1986

O desfile derradeiro do Suvaco do Cristo teve saída marcada para as 10h, na Rua Jardim Botânico, 594. A despedida aconteceu em meio a um fim de semana com intensa programação carnavalesca na cidade, mas carrega um significado especial para foliões, músicos e personagens que acompanharam a trajetória do bloco desde a sua criação.

Origens e contexto histórico

O Suvaco do Cristo nasceu da reunião de amigos do bairro do Jardim Botânico, em diálogo direto com a cena musical e artística carioca dos anos 1980. O nome irreverente faz referência à região que se projeta a partir das “axilas” da estátua do Cristo Redentor, moldando a identidade bem-humorada do bloco desde o início.

Em seu site oficial, o bloco relembra o cenário político e cultural do período anterior à sua criação. “O contexto político também não estimulava a ocupação das ruas e o carnaval se encontrava bastante limitado às escolas de samba e blocos oficiais, desfilando no centro da cidade. Com a redemocratização e o movimento das Diretas Já, em 1984, esse contexto começa a mudar”, afirma o texto institucional.

O último desfile nas ruas

Para marcar a despedida, o cortejo final contou com três sambas emblemáticos da história do bloco, lançados em 1986, 1988 e 1992: Divinas Axilas, Pirâmide 88 e Eco no Ar, com composições de nomes como Lenine, Mu Chebabi e Xico Chaves. A bandeira do Suvaco deste ano trouxe quatro estrelas em homenagem a figuras que marcaram presença recorrente no desfile: Sylvia Gardenberg, Arnaldo Chain, Mestre Tião Belo e Jards Macalé, morto em novembro.

Segundo João Avelleira, fundador e presidente do bloco, a decisão de encerrar a trajetória foi tomada com a sensação de dever cumprido. “O Suvaco sai da rua para entrar na história porque considera sua missão cumprida. O Carnaval de rua foi revitalizado e renovado de uma forma incrível. Temos blocos de todas as cores, de todos os ritmos musicais, de todos os gêneros. Por isso, a nave do Suvaco pode pousar e repousar tranquilamente”, afirmou.

Carnaval de rua

Para Rita Fernandes, presidente da Sebastiana e uma das fundadoras do bloco Imprensa Que Eu Gamo, a despedida do Suvaco tem peso simbólico para todo o carnaval de rua carioca. “Ao mesmo tempo em que já fica uma pontinha de saudade com o último desfile do Suvaco, há também a certeza da importância que o bloco teve na retomada do carnaval de rua do Rio, com sua irreverência, seus sambas feitos por artistas como Lenine”, disse.

Ela lembra ainda que o Suvaco abriu caminho para uma nova geração de blocos que surgiram nos anos 2000, como Monobloco e Bangalafumenga, e que transformaram a configuração da festa na cidade. “Será um desfile histórico”, afirmou. Para Rita, a despedida reflete também uma mudança de ciclo no carnaval de rua, com novas formas de ocupação do espaço urbano e de relação do público com os desfiles.

Museu virtual e registro audiovisual

Mesmo fora das ruas, a memória do Suvaco do Cristo seguirá preservada. Está em preparação um Museu Virtual do bloco, que reunirá fotos, sambas, gravações e registros históricos de seus 40 anos de existência. Parte do acervo já começou a ser disponibilizada no site oficial.

– Vamos deixar essa memória gravada para que todas as pessoas possam ter acesso – disse João Avelleira. Segundo ele, a expectativa é que o museu esteja completamente acessível ainda em 2026, com material gratuito para pesquisadores e para o público em geral.

Além disso, o último desfile foi registrado em vídeo para um documentário produzido pela Casé Filmes, com argumento do jornalista Aydano André Motta e do roteirista Leonardo Bruno. De acordo com Avelleira, as filmagens vão servir como fio condutor para contar a história do bloco e seu legado. “Vamos terminar em grande estilo”, afirmou.

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