O número equivale a uma vítima a cada três dias e representa um aumento de 160% em relação ao mesmo período de 2025.
Por Redação – do Rio de Janeiro
Ao menos 13 pessoas foram vítimas de balas perdidas na região metropolitana do Rio de Janeiro durante o mês de maio.

O número equivale a uma vítima a cada três dias e representa um aumento de 160% em relação ao mesmo período de 2025, quando cinco pessoas foram atingidas. Entre os baleados deste ano, três morreram.
Entre os casos registrados está o de Bento Costa Petillo Bezze, de 12 anos. O adolescente morreu no dia 31 após ser atingido por uma bala perdida no Morro da Quitanda, no Complexo da Pedreira, na Pavuna.
Os dados do relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado também mostram aumento de 340% nos casos de pessoas baleadas em assaltos ou tentativas de assalto. Ao todo, 22 pessoas foram atingidas em maio deste ano, sendo 10 mortas e 12 feridas. Em maio de 2025, cinco pessoas foram baleadas durante crimes desse tipo: três morreram.
Um motociclista foi baleado no dia 30 durante uma tentativa de assalto na Rua Conde de Bonfim, nas proximidades da Avenida Maracanã, na Tijuca, na Zona Norte do Rio. Ele estava chegando em casa quando foi abordado e atingido na região da clavícula e da cabeça.
Maio registrou ainda 20 tiroteios motivados por disputas entre grupos armados, o segundo maior número do ano, atrás apenas de janeiro, que teve 21 registros. Ao menos 19 pessoas foram atingidas durante esses episódios. Entre os casos registrados está o tiroteio ocorrido em Costa Barros, na Zona Norte do Rio de Janeiro, que deixou um homem morto e duas mulheres, além de um bebê de 1 ano e 3 meses, feridos.
Também houve aumento nos tiroteios motivados por ações e operações policiais. Ao todo, 82 registros foram contabilizados, um aumento de 14% em comparação com os 72 casos acumulados em maio de 2025. Dos 166 tiroteios mapeados na região metropolitana do Rio de Janeiro ao longo do mês, quase metade (49%) ocorreu nesse contexto. O número de baleados nesses episódios (62 vítimas) equivale a 54% dos baleados ao longo do mês de maio: 115 atingidos, sendo 66 mortos e 49 feridos.
– O que os números de maio revelam é um retrato do colapso na segurança pública. Balas perdidas atingindo moradores em plena rotina, pessoas baleadas durante roubos, disputas territoriais entre grupos armados e tiroteios em operações policiais. Tudo isso compõe um mosaico de violência que sufoca a vida da população. Nenhum desses fenômenos pode ser tratado isoladamente. O poder público precisa de uma resposta integrada, que vá além do confronto e alcance as causas que alimentam esse ciclo – avalia Carlos Nhanga, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio de Janeiro.
Municípios
Com 111 tiroteios mapeados no mês, a capital fluminense concentrou 67% dos registros ocorridos na região metropolitana. Entre os municípios que compõem a região metropolitana do Rio de Janeiro, os mais afetados pela violência armada foram:
Rio de Janeiro: 111 tiroteios, 46 mortos e 30 feridos
São Gonçalo: 17 tiroteios, 7 mortos e 7 feridos
Duque de Caxias: 10 tiroteios, 2 mortos e 4 feridos
Niterói: 6 tiroteios, 1 morto e 2 feridos
Nova Iguaçu: 5 tiroteios e 1 morto
Bairros
Os bairros mais afetados pela violência armada foram:
Tijuca (Rio de Janeiro): 10 tiroteios e 3 feridos
Maré (Rio de Janeiro): 8 tiroteios, 2 mortos e 1 ferido
Jacarepaguá(Rio de Janeiro): 5 tiroteios e 5 mortos
Costa Barros (Rio de Janeiro): 4 tiroteios, 7 mortos e 1 ferido
Jardim catarina (São gonçalo): 4 tiroteios, 4 mortos e 2 feridos
Cascadura (Rio de Janeiro): 4 tiroteios, 2 mortos e 2 feridos
Taquara (Rio de Janeiro): 4 tiroteios, 2 mortos e 2 feridos
Fogo cruzado
O Fogo Cruzado é um Instituto que utiliza tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida.
Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 50 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife, de Salvador e de Belém.
Por meio de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado obtém e disponibiliza informações sobre tiroteios, verificados em tempo real, sendo o único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto ou dos relatórios produzidos mensalmente.