Na Colômbia, onde o voto não é obrigatório, compareceram às urnas 57,8% dos mais de 41 milhões de eleitores. Brancos e nulos somaram cerca de 3%. O segundo turno está marcado para o dia 21 de junho.
Por Redação, com ABr – de Bogotá
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, não reconheceu o resultado preliminar, apurado por empresas privadas, das eleições presidenciais colombianas de domingo. A chamada pré-contagem deu uma vantagem de quase 800 mil votos ao candidato da oposição.

– Não aceito os resultados da contagem preliminar da empresa privada dos irmãos Bautista, porque, apesar de os algoritmos do software de contagem e apuração deverem permanecer estáticos, foram alterados três vezes na última semana, adicionando 800 mil fichas de inscrição eleitoral pertencentes a pessoas não incluídas no censo oficial – disse o presidente, em uma rede social.
Segundo pré-contagem divulgada pelo Registro Nacional de Estado Civil, o candidato da oposição de extrema-direita Abelardo de La Espriella ficou com 43,7% dos votos (10.361.499), enquanto o governista de esquerda Ivan Cepede teve 40,9% (9.688.361). As pesquisas de intenção de voto vinham dando o presidenciável Cepeda a frente.
Na Colômbia, onde o voto não é obrigatório, compareceram às urnas 57,8% dos mais de 41 milhões de eleitores. Brancos e nulos somaram cerca de 3%. O segundo turno está marcado para o dia 21 de junho.
A contagem preliminar na Colômbia não tem validade legal e têm caráter meramente informativo, “por isso não se pode considerar como documento eleitoral que definam uma eleição”, segundo o Registro que divulga os dados.
O presidente Gustavo Petro afirmou que existem dois censos na Colômbia: o oficial e o software dos irmãos Bautista que, segundo ele, teriam incluído 800 mil pessoas adicionais.
– As seções eleitorais já contestadas demonstram que centenas de milhares de votos foram adicionados sem a existência de eleitores inscritos. Portanto, e de acordo com a lei, os resultados vinculativos que o presidente considerará e aceitará são os das comissões eleitorais supervisionadas pelos juízes da República – disse Petro.
O presidente se refere aos empresários Felipe, Camilo e Fernando Bautista, donos da empresa de tecnologia Thomas Greg & Sons, uma das responsáveis pela contagem preliminar. Outra empresa que participa desse processo é a espanhola Indra.
Esse tipo de pré-contagem ocorreu nas eleições anteriores e vinha sendo criticada já pelo presidente Petro, informou o especialista em política colombiana Matheus Petrelli, pesquisador do Observatório Político Sul-Americano (OPSA), ligado à Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).
– Essa contagem está prevista na legislação e já ocorreu previamente, mas não tem validade jurídica. O resultado oficial é contado por comissões escrutinadoras e saem, geralmente, entre duas semanas e um mês – destacou Petrelli.
EUA
O candidato que ficou em primeiro colocado na pré-contagem, Abelardo de La Espriella, criticou a posição do governo Petro, citou risco a democracia e pediu que os Estados Unidos (EUA) acompanhem o segundo turno na Colômbia.
– Ele quer desestabilizar o país e abrir caminho para incendiar a Colômbia. Vamos permitir? Vamos defender a pátria com a razão ou com a força. Que os Estados Unidos da América e países democráticos vigiem esse segundo turno – afirmou em discurso após a divulgação do resultado.
Verificação
O candidato do Pacto Histórico, coalização que atualmente governa a Colômbia, Ivan Cepeda, afirmou que há uma discrepância que eles querem verificar e somente após essa verificação é que comentará o resultado divulgado.
– Estamos falando de 885 mil fichas de inscrição eleitoral. Há informações e indícios sobre um número indeterminado de seções eleitorais. Estamos verificando, com nosso mecanismo de segurança de observação eleitoral, exatamente quantas seções onde ocorreram, segundo relatos iniciais, padrões de votação atípicos – disse em discurso após a divulgação dos dados preliminares.
Geopolítica
A depender do resultado, a Colômbia, o segundo país mais populoso da América do Sul, atrás apenas do Brasil, pode se alinhar mais estreitamente à política dos Estados Unidos (EUA) para a região.
A outra opção é dar continuidade ao governo do Pacto Histórico, bloco partidário do atual presidente Gustavo Petro, o primeiro chefe de Estado de esquerda da história do país caribenho, que não pode se candidatar porque não há reeleição na Colômbia.
O também mestrando em economia política internacional Matheus Petrelli lembra que a Colômbia é um país estratégico na América do Sul por ter saída para o Pacífico e Caribe, sendo peça importante no contexto americano.
– O Petro tentou muito se vincular politicamente ao Lula no contexto regional, em pautas ambientais e sociais. A eleição do seu sucessor representa a manutenção dessa proximidade. Já a eleição de Abelardo representaria a retomada do processo de vínculo mais estreito com os EUA – disse.
Até a eleição de Petro, em 2022, a Colômbia era considerada uma das principais aliadas de Washington na América do Sul.