Rio de Janeiro, 24 de Março de 2026

Peso da guerra no Oriente Médio volta a elevar tendência inflacionária

A guerra entre EUA, Israel e Irã eleva os preços do petróleo, aumentando a inflação e a taxa Selic. Entenda os impactos econômicos.

Segunda, 23 de Março de 2026 às 20:46, por: CdB

A alteração ocorre na esteira das preocupações com a inflação diante do aumento dos preços do petróleo por conta da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que interrompeu o fluxo da commodity pelo estreito de Hormuz.

Por Redação, com ABr – de Brasília

Analistas consultados pelo Banco Central (BC) elevaram pela terceira semana seguida a expectativa para a taxa básica de juros ao final deste ano e passaram a ver a Selic em 12,50%, ante 12,25% da semana passada, mostrou a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira.

Peso da guerra no Oriente Médio volta a elevar tendência inflacionária | A moeda brasileira tende a se desvalorizar frente a alta nos índices de inflação
A moeda brasileira tende a se desvalorizar frente a alta nos índices de inflação

A alteração ocorre na esteira das preocupações com a inflação diante do aumento dos preços do petróleo por conta da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que interrompeu o fluxo da commodity pelo estreito de Hormuz.

Na semana passada, o BC reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,75% ao ano, mas defendeu cautela para passos futuros da calibragem da taxa básica ao destacar “forte aumento da incerteza” em meio ao acirramento dos conflitos no Oriente Médio.

 

Expectativa

No boletim atual, os economistas consultados veem um corte de 0,5 ponto percentual na Selic em abril, para 14,25%. Para 2027 a expectativa para a taxa de juros permanece em 10,5%.

O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou ainda que a expectativa para a alta da inflação em 2026 subiu a 4,17%, um aumento de 0,07 ponto percentual na comparação com a semana passada, permanecendo em 3,8% para o ano que vem. O centro da meta oficial para a inflação é de 3%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

 

Recuo

Em fevereiro, a alta dos preços em transportes e educação fez a inflação oficial do mês fechar em 0,7%, uma aceleração diante do registrado em janeiro, 0,33%. No entanto, o acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, abaixo dos 4% pela primeira vez desde maio de 2024.

Para 2027, a projeção da inflação se mantém em 3,8%. Para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,52% e 3,5%, respectivamente.

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros (Taxa Selic), definida atualmente em 14,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Na reunião da semana passada, por unanimidade, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual. Antes da escalada do conflito no Irã, a expectativa predominante era de um corte de 0,5 ponto.

 

Copom

Em 15% ao ano, a Selic estava no maior nível desde julho de 2006, quando era de 15,25% ao ano. De setembro de 2024 a junho de 2025, a taxa foi elevada sete vezes seguidas, mas não foi alterada nas quatro reuniões seguintes.

Na ata da reunião de janeiro, o Copom afirmou que iniciaria um ciclo de corte nos juros na reunião deste mês, mas o comunicado divulgado após o encontro trouxe mais cautela diante do aumento das incertezas provocado pelo conflito no Oriente Médio. O BC não descarta rever o ciclo de baixa, caso seja necessário.

A estimativa dos analistas de mercado para a taxa básica foi elevada nesta edição do boletim Focus – de 12,25% ao ano para 12,5% ao ano até o final de 2026. Para 2027 e 2028, a previsão é que a Selic seja reduzida para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve chegar a 9,5% ao ano.

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