Com o resultado do mês, o índice passa a acumular em 12 meses avanço de 4,37%, de 3,90% em março. A meta contínua para a inflação é de 3,0% medido pelo IPCA, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
Por Redação, com Reuters – do Rio de Janeiro
A inflação no Brasil permanece sob pressão dos preços de alimentos e combustíveis em abril, mas a alta do IPCA-15 acelerou menos do que o esperado no mês, em dado divulgado às vésperas da reunião de política monetária do Banco Central (BC).

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) teve em abril alta de 0,89%, depois de subir 0,44% em março, informou nesta terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a taxa mensal mais elevada desde fevereiro de 2025 (1,23%).
Com o resultado do mês, o índice passa a acumular em 12 meses avanço de 4,37%, de 3,90% em março. A meta contínua para a inflação é de 3,0% medido pelo IPCA, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
Expectativas
Os dados ficaram abaixo das expectativas em pesquisa da agência inglesa de notícias Reuters de altas de 1,0% na base mensal e de 4,49% em 12 meses. O BC decide sobre a política monetária nesta quarta-feira, com a guerra no Oriente Médio pairando sobre o cenário. Ao cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual em março, a 14,75%, a autoridade monetária sinaliza para cautela diante do aumento da incerteza com o conflito.
A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã vem provocando preocupações sobre a inflação diante das altas nos preços globais do petróleo devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, ainda sem perspectiva de resolução.
— Continuamos avaliando que ainda há espaço para a continuidade do ciclo de cortes, uma vez que o aperto monetário implementado nos últimos anos já vem produzindo efeitos sobre a atividade econômica e proporcionou à autoridade monetária uma margem de segurança … Mas entendemos que o Banco Central deverá avançar de forma cautelosa, gradual e dependente dos dados — afirmou Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, prevendo corte de 0,25 ponto percentual na Selic nesta semana.
Avanço
Em abril, o maior impacto no IPCA-15 foi exercido pela alta de 1,46% do grupo Alimentação e Bebidas, após avanço de 0,88% em março. O resultado foi influenciado principalmente pelo avanço de 1,77% da alimentação no domicílio, com destaque para os aumentos dos preços de cenoura (25,43%), da cebola (16,54%), do leite longa vida (16,33%), do tomate (13,76%) e das carnes (1,14%).
Já os custos de Transportes avançaram 1,34% em abril, após alta de 0,21% em março, com os preços dos combustíveis passando a subir 6,06%, após recuo de 0,03% no mês anterior. A gasolina subiu 6,23%, após queda de 0,08% em março. O subitem passagem aérea, por sua vez, desacelerou de uma alta de 5,94% em março para queda de 14,32% em abril.
— A principal surpresa baixista concentrou-se em passagens aéreas. A tendência, contudo, é de reversão parcial desse movimento nos próximos meses, diante do avanço da guerra e de seus impactos sobre o querosene de aviação — resumiu Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos.