Outro indicador destacado pelo Fundo é que o PIB per capita brasileiro já supera a trajetória observada antes da pandemia, evidenciando uma recuperação considerada sólida após os choques econômicos enfrentados nos últimos anos.
Por Redação, com Reuters – de Washington
O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para cima suas projeções para a economia brasileira, reforçando a avaliação de que o país atravessa um período de resiliência e crescimento consistente, mesmo em meio às turbulências do cenário internacional e às novas tarifas unilaterais impostas pelo governo de Donald Trump contra produtos brasileiros.

Segundo os relatórios aprovados pelo Conselho Executivo do FMI em 20 de julho de 2026, o Brasil registrou a segunda maior revisão positiva das projeções entre os países do G20, sinalizando maior confiança da instituição no desempenho da economia nacional.
O FMI passou a projetar crescimento de 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026, refletindo um cenário mais favorável do que o estimado anteriormente. A instituição também revisou para cima a projeção para 2027, agora fixada em 2,2%, indicando expectativa de continuidade da expansão econômica nos próximos anos.
Incertezas
As novas estimativas reforçam a percepção de que a economia brasileira mantém capacidade de crescimento apesar das incertezas externas, incluindo o aumento das tensões comerciais provocado pelas medidas adotadas pelos Estados Unidos. Além das projeções de curto prazo, o FMI estima que o potencial de crescimento de médio prazo da economia brasileira seja de aproximadamente 2,5% ao ano.
A avaliação é significativamente mais otimista do que a de parte do mercado financeiro, sugerindo que o país dispõe de condições para sustentar uma trajetória de expansão baseada em ganhos de produtividade, investimentos e reformas estruturais.
Outro indicador destacado pelo Fundo é que o PIB per capita brasileiro já supera a trajetória observada antes da pandemia, evidenciando uma recuperação considerada sólida após os choques econômicos enfrentados nos últimos anos.
Estratégia
O relatório também registra avanços na política fiscal brasileira. Segundo o FMI, a estratégia de consolidação das contas públicas apresentada pelo governo, incluindo o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO), deverá contribuir para estabilizar a trajetória da dívida pública ao longo dos próximos anos.
Embora recomende a continuidade dos esforços de ajuste e melhoria da eficiência do gasto público, a instituição reconhece que houve progresso na construção de um cenário de maior previsibilidade fiscal.
Outro ponto ressaltado pelo Fundo é a resiliência do sistema financeiro brasileiro.
Choques
Na avaliação dos técnicos do FMI, o setor bancário continua apresentando elevados níveis de capitalização e liquidez, permitindo absorver eventuais choques econômicos. O relatório recomenda, contudo, que o país continue aprimorando os mecanismos de supervisão financeira e os instrumentos de gestão de crises, preservando a estabilidade conquistada.
A instituição internacional também enfatiza a importância da continuidade das reformas estruturais para elevar o potencial de crescimento da economia brasileira. Entre as prioridades apontadas estão a aplicação da reforma tributária; medidas para melhorar o ambiente de negócios; estímulos ao investimento privado e iniciativas voltadas ao aumento da produtividade.
Segundo a instituição, essas mudanças poderão fortalecer a competitividade da economia brasileira no médio e longo prazos.